O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu nesta sexta-feira (29) um período de transição maior que o aprovado pela Câmara dos Deputados para o fim da escala 6x1. Da forma como está, ele disse, a mudança vai aumentar custos e poderá impactar serviços públicos da capital paulista. Nunes citou como exemplo a coleta de lixo. A proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada na última quarta-feira (27) na Câmara prevê reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, com transição em duas etapas. Primeiro, a carga horária será reduzida de 44 horas para 42 horas em até 60 dias após a promulgação da PEC. Depois, em até 12 meses, haverá nova redução, de 42 horas para 40 horas semanais. A PEC ainda precisa ser discutida e votada pelo Senado. Nunes falou sobre o tema em evento promovido pelo Grupo Lide, em São Paulo, nesta sexta-feira (29). Durante o discurso, ele pediu ajuda ao presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi, que também estava no evento, para a ampliação do período de transição. “Agora votaram para o fim da escala 6x1. Baleia [Rossi], pelo amor de Deus. [Se] vai reduzir de 44 para 40 horas, precisa ter prazo”, declarou. O deputado deu voto favorável à PEC, que foi aprovada, em primeiro turno, por 472 votos a 22, e por 461 votos a 19, no segundo turno. Como exemplo de impactos da mudança com prazo mais curto, ele citou a coleta de lixo em bairros atendidos atualmente com três coletas semanais, que poderão ter redução na frequência em parte do mês. “Só para ter uma ideia, o meu contrato de concessão de coleta de lixo é R$ 2,5 bilhões, para um trabalho para 20 anos. Tem uma planilha de custo. Se for mudar abruptamente [caso seja aprovada a PEC do fim da escala 6x1], tem bairros que a gente faz a coleta três vezes por semana, eu vou ter que fazer pelo menos duas vezes por semana dentro do mês, a coleta só duas vezes por semana, porque eu não tenho mais dinheiro. Então o serviço público tem que ser visto diferente”, afirmou. Na coletiva de imprensa, Rossi não falou sobre o pedido feito pelo prefeito, mas disse que os senadores aprofundarão o debate sobre a proposta e que o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), será favorável ao fim da escala 6x1. Como mostrou o Valor, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já disse a interlocutores que não irá colocar obstáculos ao avanço da matéria e despachará o texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em um "rito normal" de tramitação.