A empresa Santos Brasil, maior operadora de contêineres do Brasil, quer que o projeto do túnel Santos-Guarujá, que está em fase preparatória para início de obras, tenha seu traçado alterado. Se o desenho atual da obra seguir sem mudanças, alega a companhia, haverá forte impacto logístico bilionário nas operações de seu terminal, o Tecon Santos, que é o maior do país dedicado a contêineres.

Segundo informações obtidas pela Folha, a companhia não é contrária à construção do túnel, obra que pretende melhorar a mobilidade entre Santos e Guarujá, mas tem uma série de críticas sobre o desenho dos acessos previstos para a obra, que mexeria não apenas com a estrutura atual de carga, mas também seus planos de expansão.

Para a Santos Brasil, a configuração atual cria pontos permanentes de conflito entre o tráfego urbano e a intensa movimentação de caminhões que abastecem diariamente o terminal de contêineres.

A reportagem confirmou que o pedido foi formalmente apresentado neste mês à APS (Autoridade Portuária de Santos), à Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) e à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

A empresa chegou a fazer algumas estimativas preliminares sobre a perda operacional que poderia ter caso o traçado do túnel não seja alterado. Em um documento ao qual a Folha teve acesso, a Santos Brasil afirma que há risco de uma perda potencial de até 50% da capacidade do acesso rodoviário para o terminal, "colocando prejuízo na casa da dezena de bilhões" ao longo de seu contrato.