Argentina barra empresa brasileira de licitação de hidrovia Paraguai-Paraná — Foto: Divulgação/Ministério da Economia da Argentina A brasileira DTA Engenharia acionou formalmente a ONU e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento após identificar supostos indícios de irregularidades em documentos usados pelo governo argentino na licitação da Via Navegável Troncal (VNT), trecho argentino da hidrovia Paraná–Paraguai, um projeto estimado em US$ 15 bilhões. A empresa deu prazo de 15 dias para que a entidade confirme ou negue a autenticidade e a autoria institucional dos arquivos. Caso não haja resposta, promete escalar a denúncia para órgãos internos de fiscalização das Nações Unidas, incluindo o OIOS, Escritório de Serviços de Supervisão Interna responsável por investigar fraudes e uso indevido do nome da ONU. A ofensiva foi baseada em uma perícia forense digital contratada pela DTA Engenharia. Segundo a análise, um dos documentos atribuídos à UNCTAD teria sido criado no Word sob o pseudônimo “Pp Pp”, enquanto outro aparece ligado, nos metadados, a Rafael Escutia, associado à consultoria espanhola Port Insight Consulting. A companhia afirma ainda que os documentos atribuídos à UNCTAD não possuem assinaturas digitais criptográficas válidas, exibem assinaturas inseridas como imagens JPEG e apresentam características documentais consideradas atípicas para padrões institucionais da ONU. No último dia 20, o Ministério da Economia da Argentina declarou como pré-qualificadas as ofertas apresentadas por Jan de Nul VN e Servimagnus, e Deme(Dredging, Environmental & Marine Engineering) na disputa pelo trecho argentino da hidrovia Paraná–Paraguai. O certame também recebeu uma oferta da DTA Engenharia, única empresa 100% brasileira inscrita, que foi declarada inadmissível. A hidrovia Paraguai–Paraná é um dos principais corredores logísticos da América do Sul e responde por grande parte das exportações da Argentina e do Paraguai, além de ser estratégica para Bolívia, Uruguai e Brasil. No caso brasileiro, a via é usada para o escoamento de minério de ferro do Mato Grosso do Sul rumo à China e à Europa. Enquanto defensores apontam ganhos logísticos e econômicos, pesquisadores alertam que as obras de dragagem necessárias para manter o canal navegável podem alterar profundamente a dinâmica hídrica do bioma, reduzindo áreas alagáveis, agravando secas e incêndios e causando impactos ambientais, sociais e culturais em uma das maiores áreas úmidas do planeta.