O Ministério de Portos e Aeroportos revisou o cronograma para a concessão da hidrovia do Rio Paraguai e passou a prever a realização do leilão no primeiro semestre de 2027. Anteriormente, pelo balanço apresentado em janeiro deste ano, a expectativa era de que a disputa ocorresse no segundo semestre de 2026. O cronograma foi apresentado pelo secretário nacional de Hidrovias e Navegação da pasta, Otto Burlier, nesta quinta-feira (21), durante evento de apresentação dos resultados da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação da pasta nos últimos dois anos. A Hidrovia do Rio Paraguai tem cerca de 600 quilômetros de extensão em território brasileiro e é estratégica para o escoamento de cargas no Centro-Oeste, segundo o governo. A concessão compreende o Tramo Sul, o Canal do Tamengo e as infraestruturas associadas, abrangendo o trecho entre Corumbá (MS) e a foz do Rio Apa. Em entrevista ao Valor, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Dias, explicou que o processo está, no momento, em análise no Tribunal de Contas da União (TCU). Em paralelo, Brasil, Paraguai e Bolívia negociam acordo sobre regras de governança. Apesar da revogação, no início deste ano, do decreto que incluía hidrovias no Programa Nacional de Desestatização (PND), após protestos de povos indígenas, o governo manteve os projetos na carteira de concessões. Entre os empreendimentos previstos estão as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, na região Norte, além da chamada “Hidrovia Verde”, também em estudo. Em todos os casos, os leilões são estimados pelo governo para o primeiro semestre de 2027. Durante o evento, o secretário afirmou que a pasta tem trabalhado em parceria com a agência reguladora para avançar na agenda, que passa por um processo de amadurecimento e de convencimento junto à população, de que as concessões podem trazer melhorias para além da logística, mas para populações que estão próximas aos rios. Segundo ele, as concessões trazem ganhos sociais, logísticos e ambientais. Rio Paraguai — Foto: Divulgação/Antaq