O governo federal afirmou nesta sexta-feira (29) que a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pode prejudicar o combate ao crime organizado, comprometer o compartilhamento de informações entre as polícias e gerar impactos sobre o sistema financeiro e o Pix. Na noite de quinta-feira , o governo norte-americano decidiu incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida passa a valer em 5 de junho. Em nota, o Palácio do Planalto ressaltou que “medidas unilaterais, não negociadas,” podem enfraquecer as ações de combate ao crime. “Trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país”, destacou. O governo também reforçou o discurso de defesa da soberania nacional, adotado anteriormente no episódio do tarifaço. Hoje, a soberania foi classificada como “inegociável”. “O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, afirmou. Apesar das críticas à decisão do governo dps EUA, o Planalto declarou que qualquer colaboração internacional no combate às facções será “bem-vinda”, mas ressaltou que o país não aceitará o uso de “medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”. O governo brasileiro também disse ter apresentado, em 16 de abril, ao Departamento de Estado dos EUA uma proposta de inteligência e cooperação internacional para ampliar o controle sobre operações de lavagem de dinheiro realizadas no exterior e sobre o tráfico internacional de armas destinadas ao Brasil. — Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil