A expansão de tecnologias como 5G, computação em nuvem e inteligência artificial tem ampliado a demanda por profissionais qualificados no setor de telecomunicações no Brasil. A velocidade de formação de mão de obra, no entanto, não acompanha esse ritmo, criando uma disputa por talentos e levando as empresas a reforçar programas de treinamento. Segundo Leonardo Berto, gerente da Robert Half, o setor vive uma transformação contínua desde a privatização das teles nos anos 1990, agora intensificada pela rápida evolução tecnológica. “A velocidade com que as tecnologias são adotadas é maior do que a capacidade dos profissionais de se adaptarem”, afirma. Ele ressalta que a demanda se concentra em especialistas em 5G, engenharia de dados, automação de redes e criptografia. Esse cenário é agravado pela concorrência entre setores. Profissionais com conhecimento em tecnologia, dados e infraestrutura não são disputados apenas pelas teles, mas também por segmentos como mercado financeiro, varejo, energia e big techs. “A guerra dos talentos acabou e quem ganhou foi o talento”, resume Berto, destacando que a competição pressiona salários e exige das empresas estratégias de retenção, incluindo benefícios, flexibilidade e oportunidades de desenvolvimento. Maria Antonietta Russo, vice-presidente de pessoas, cultura e organização da TIM, diz que segmentos como dados, IA, cloud, automação e cibersegurança concentram os maiores gargalos, sobretudo na capacidade de integrar essas tecnologias em soluções de larga escala. “A escassez de talentos não é só quantitativa, é principalmente uma questão de atualização constante de habilidades”, afirma Fernando Luciano, vice-presidente de pessoas da Vivo. Ele destaca que a rápida transformação tecnológica exige profissionais capazes de aprender continuamente, enquanto a convivência entre diferentes gerações nas empresas cria novas dinâmicas de aprendizado. A Algar Telecom também vê dificuldades semelhantes, especialmente para contratar especialistas em infraestrutura de redes, fibra ótica, cloud, dados e cibersegurança. “Percebemos uma forte concorrência por profissionais já empregados”, diz Juliana Afonseca, diretora de gente da companhia. Além disso, há escassez de técnicos de campo, essenciais para garantir a qualidade dos serviços. Para isso, a empresa investe fortemente no desenvolvimento interno, com academias específicas para técnicos, atendimento e vendas. Do lado da formação, o problema é estrutural. Carlos Nazareth Motta Marins, diretor do centro de ensino e pesquisa Inatel, lembra que há baixa adesão a carreiras tecnológicas no Brasil. Para ele, o país corre o risco de enfrentar um colapso na formação de engenheiros se não houver estímulo à carreira. O desafio é crítico na área de telecomunicações, com a expansão das aplicações. “Além das operadoras, setores como agronegócio, saúde e logística dependem cada vez mais de conectividade”, diz Marins. Tecnologias como internet das coisas (IoT) e telemedicina ampliam a demanda por profissionais especializados. Para enfrentar o problema, as empresas investem em formação. Na Vivo, 43% das mais de 8 mil posições preenchidas em 2025 vieram de movimentações internas, apoiadas por um hub de educação corporativa. A TIM criou o programa Onda Digital, que já alcança 94% dos colaboradores com capacitação em áreas como IA, dados e cibersegurança. A Algar aposta em treinamentos e iniciativas como o IA Lab para desenvolver talentos. Outra frente é a aproximação com instituições de ensino. O Inatel vê aumento na demanda por treinamentos “in company”.
Falta de mão de obra é desafio no setor de telecomunicações
Para enfrentar o problema, as empresas investem em formação, criando programas e montando parcerias com instituições de ensino










