A classificação, pelo Departamento de Estado dos EUA, do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas é, no limite, uma decisão soberana do governo norte-americano e que diz respeito à forma como aquele país lidará, em seus termos jurídicos e legais, com as conexões e os impactos transnacionais da atividade dessas facções. Ela está alinhada ao maior intervencionismo global norte-americano durante a atual administração Trump e é justificada por pretensas ameaças à segurança nacional daquele país.
Reconhecer isso, contudo, não significa concordar com a decisão. Muito pelo contrário. Mas vale como ponto de partida para analisar o que está em jogo e os movimentos e efeitos do anúncio.
Na prática, a medida muda por completo como os EUA irão abordar o problema, indicando que agora a questão é de natureza militar e não de cooperação policial. Isso é bastante preocupante, ainda mais porque Brasil e EUA têm uma longa tradição de cooperação policial e de troca de informações de inteligência, que podem ser afetadas.
Em termos conceituais, por mais que alguns atos do PCC e do Comando Vermelho possam adotar táticas associadas a terroristas, como incendiar ônibus, o direito internacional não autoriza pensarmos que elas são organizações terroristas. Isso porque essas facções estão estruturadas para ganhar dinheiro e não são motivadas por interesses ideológicos, por interesses políticos, por discursos de ódio ou por intolerância religiosa.











