O relatório da Presidência Aberta realizada em Abril de 2026 na zona Centro é claro: a vulnerabilidade observada quando o país foi atingido pelo "comboio de tempestades" do início do ano "não resulta apenas da intensidade dos fenómenos climáticos extremos", mas da forma como o território tem sido historicamente ocupado e gerido. É um diagnóstico que aponta para escolhas políticas — e para a responsabilidade de as corrigir. Que seja o Presidente a dizê-lo, com esta nitidez, não é irrelevante.Uma das mensagens centrais do relatório de António José Seguro é que a adaptação climática tem de deixar de ser tratada como política marginal ou sectorial para passar a ser "critério transversal de organização do território". Enquanto isso não acontecer, o ciclo repete-se: fenómenos extremos, danos, reconstrução, esquecimento.Os danos da Kristin não resultaram apenas da intensidade da tempestade, mas de décadas de opções de ordenamento que ignoraram o risco, com zonas inundáveis ocupadas, solos impermeabilizados ou linhas de água artificializadas. A Presidência é directa: "Os desastres naturais só se tornam crises económicas e sociais de grande escala quando encontram territórios vulneráveis", refere o relatório. "Sem esta integração plena da adaptação climática no ordenamento do território, continuará a haver reconstrução, mas haverá pouca aprendizagem territorial."
A adaptação climática tem de estar no centro, avisou Seguro
Clima. Biodiversidade. Sustentabilidade. Uma newsletter sobre o nosso planeta.















