"Preparem-se para o caos", escreveu o ambientalista Bill McKibben ao antecipar o que pode se tornar o "Super El Niño" de 2026, possivelmente um dos mais intensos das últimas décadas.

Alertas assim costumam chegar como notícias distantes. Fala-se do Pacífico equatorial, das geleiras, das anomalias de temperatura, dos mapas meteorológicos. Tudo parece técnico, remoto demais para pertencer à vida cotidiana. O El Niño de 2026 não será um evento isolado, mas um amplificador da crise climática já em curso. É mais um sinal de que a natureza está cada vez menos tolerante aos nossos atrasos.

Há décadas somos alertados para isso. Com tantos avisos, o mais natural seria que cada um de nós se tornasse um ativista convicto. Mas a maioria continua no mesmo lugar. Por que é tão difícil aceitar as evidências?

O filósofo Hans Jonas oferece uma boa pista. Ao formular sua "ética da responsabilidade", mostrou que o ser humano está mal preparado, evolutivamente, para responder a perigos lentos, difusos e impalpáveis. Fomos moldados para reagir ao urso à nossa frente, não a ameaças imperceptíveis que se acumulam em silêncio por gerações.

Some-se a isso a distância: o problema parece longe no tempo, longe no espaço e fora da nossa responsabilidade direta. Quando um perigo habita o horizonte, raramente mobiliza o presente.