Estamos no mês de maio e, em breve, entidades empresariais voltarão a promover campanhas contra os tributos. Há mais de duas décadas, organizações como a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, no dia por eles intitulado como Dia da Liberdade de Impostos, tentam convencer a sociedade brasileira de que a carga tributária do país está entre as maiores do mundo e que os tributos significam recursos perdidos, retirados da população em favor do governo.

Para confrontar essa narrativa, basta observar a realidade concreta de quem depende das políticas públicas para sobreviver, como é o caso, por exemplo, dos mais de 90% da população brasileira cuja renda mensal é inferior a dois salários-mínimos. Considerando uma família de quatro pessoas, com renda mensal R$ 3.200 e que gaste com tributos cerca R$ 1.280 por mês (as classes mais pobres pagam cerca 40% enquanto os mais ricos não pagam mais do que 20%), a pergunta que precisamos fazer é se, com esse valor, seria possível pagar educação privada para dois filhos, plano de saúde para quatro pessoas e aposentadoria para pelo menos uma pessoa. Evidentemente que não.

O investimento mensal por aluno na escola pública é de aproximadamente R$ 450. Já na saúde pública, o gasto médio mensal por pessoa é de cerca de R$ 115. Isso significa que, para manter duas crianças na escola e quatro pessoas amparadas pelo SUS, o Estado investe, aproximadamente, R$ 1.360 por mês — valor superior a todo o tributo pago por esta família. E essa conta sequer inclui benefícios sociais como Bolsa Família e auxílio-gás e benefícios previdenciários e todas as demais políticas públicas.