Dezenas de milhares de funcionários da divisão de semicondutores da Samsung Electronics poderão receber bônus médios de até 600 milhões de won (US$ 400 mil ou R$ 2 milhões) cada após sindicatos e administração chegarem a um acordo para encerrar meses de impasse trabalhista que ameaçavam culminar em uma greve geral. O acordo, assinado na quarta-feira (27), destina 10,5% do lucro operacional da companhia ao pagamento de bônus para 78 mil empregados da divisão de soluções para dispositivos, responsável pela produção de semicondutores. A maior parte dos pagamentos deve ficar concentrada na unidade de memória, principal geradora de lucros da Samsung. Considerando a projeção de lucro operacional de 200 trilhões de won neste ano, os funcionários dessa divisão poderão receber, em janeiro de 2027, bônus médios de 600 milhões de won em ações da empresa. Pelas regras do acordo, um terço das ações poderá ser vendido imediatamente, enquanto o restante ficará sujeito a períodos mínimos de retenção de um e dois anos. Outras áreas receberão valores menores. Funcionários da divisão de fundição de chips, por exemplo, devem receber cerca de 200 milhões de won cada, também em ações. O acordo representa uma vitória importante para os sindicatos da Samsung em um momento em que a Coreia do Sul debate formas de distribuir os ganhos extraordinários gerados pelo boom de investimentos em inteligência artificial. O governo sul-coreano discute como utilizar a arrecadação adicional obtida com gigantes do setor, como Samsung e SK Hynix. A rival SK Hynix também fechou acordo semelhante no ano passado. A empresa prevê destinar 10% do lucro operacional de 2026 ao pagamento de bônus no início do próximo ano, permitindo aos funcionários optar entre ações ou dinheiro. Com base nos resultados do primeiro trimestre, trabalhadores da companhia poderiam receber cerca de 400 milhões de won, embora analistas projetem lucros ainda maiores para a fabricante. Impulsionada pela demanda por chips de memória de alta largura de banda usados em aplicações de inteligência artificial, a SK Hynix atingiu lucros recordes e valorização de mercado equivalente a US$ 1 trilhão. O sindicato da Samsung chegou a citar o desempenho da rival ao defender bônus mais elevados nas negociações. Apesar do avanço para os trabalhadores da área de semicondutores, o acordo gerou insatisfação em outras divisões da Samsung. Funcionários da unidade de experiência do dispositivo (DX), responsável por smartphones, TVs e eletrodomésticos, receberão apenas 6 milhões de won em pagamentos especiais em ações. Um sindicato menor tentou barrar judicialmente o acordo por excluir trabalhadores da DX, mas a Justiça rejeitou o pedido, alegando respeito ao direito de negociação das entidades sindicais maiores. O caso também reacendeu o debate sobre participação nos lucros na Coreia do Sul. A Federação Coreana de Sindicatos afirmou esperar que o acordo da Samsung abra espaço para discussões mais amplas sobre “crescimento por meio de ganhos compartilhados” e defendeu mecanismos de distribuição mais equilibrada dos ganhos de produtividade. Entidades empresariais, por outro lado, afirmam que o caso da Samsung é excepcional e não deve servir de referência para outros setores. Segundo a Federação Coreana de Empresas, seria inadequado disseminar demandas semelhantes em toda a economia. Para Lee Byoung-hoon, professor da Universidade Chung-Ang, mudanças amplas na política trabalhista são improváveis, já que poucos setores concentram lucros comparáveis aos das fabricantes de chips. Segundo ele, apenas segmentos como semicondutores, construção naval e montadoras possuem capacidade de pagar bônus dessa magnitude.
Samsung destinará 10,5% do lucro operacional para bônus de até R$ 2 milhões a cada funcionário
Pagamento será em ações da companhia













