Os trabalhadores sindicalizados da Samsung aprovaram um polêmico acordo sobre o pagamento de bônus que evita uma greve em grande escala, mas também agrava as profundas disparidades de renda entre os funcionários do conglomerado de tecnologia.

Dois sindicatos da maior fabricante de chips de memória do mundo disseram nesta quarta-feira (27) que 74% dos 62,6 mil trabalhadores que votaram apoiaram o acordo. O bônus pode chegar a US$ 416 mil (R$ 2,1 bilhões) este ano para alguns funcionários.O acordo mediado pelo governo, alcançado após uma acirrada disputa de cinco meses, provocou tanto um grande alívio quanto preocupação em toda a Coreia do Sul.

Por um lado, a Samsung é responsável por cerca de um quarto das exportações do país e, caso o acordo não tivesse sido ratificado, uma greve de 18 dias envolvendo 48 mil trabalhadores teria sido iniciada, prejudicando a economia e afetando o abastecimento global de chips.

Ao mesmo tempo, esse acordo representa apenas a segunda vez que uma grande empresa sul-coreana se compromete por escrito a recompensar alguns funcionários com uma porcentagem fixa do lucro operacional —contrariando a prática habitual, que exige que os bônus sejam calculados após o pagamento dos impostos corporativos.No caso da Samsung, 10,5% do seu lucro operacional de semicondutores será destinado a bônus especiais para os funcionários que trabalham com chips.