A preocupação com a saúde mental dos funcionários entrou oficialmente para a lista de cuidados que as empresas precisam ter, após a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrar em vigor nesta semana. Agora as gestões precisam integrar os riscos psicossociais ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Segundo dados do Ministério da Previdência Social, cerca de 472 mil pessoas foram afastadas em 2024 por transtornos mentais relacionados ao trabalho, o que mostra o impacto dos riscos psicossociais nas empresas brasileiras. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, riscos psicossociais estão relacionados à organização e às interações interpessoais no ambiente laboral. Eles incluem fatores como metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais e falta de autonomia no trabalho. Esses fatores podem causar estresse, ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental nos trabalhadores. “Em uma definição simples, os riscos psicossociais estão ligados a como o trabalho ou o ambiente de trabalho está organizado ou gerido de forma que ele possa causar um prejuízo à saúde mental do trabalhador”, explica Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude, empresa referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas. Como os riscos psicossociais podem ser avaliados? A Organização Mundial do Trabalho estabeleceu, em um comitê junto com a Organização Mundial da Saúde, os fatores psicossociais no trabalho em 1986. Desde então, diferentes metodologias foram criadas para metrificar o estresse organizacional. Pimenta diz que muitas metodologias estão focadas em entender as relações entre demanda, autonomia, esforço e recompensa. “Por exemplo, eu posso ter um trabalho cuja carga horária é elevada, mas se eu tiver um certo nível de autonomia para negociar prazo ou sequência de execução, eu não adoeço”. “Então se eu tenho um trabalho onde me sinto pertencida, onde sou reconhecida, bem remunerada e elogiada, isso protege a minha saúde mental.” Como as empresas devem se adaptar às novas normas? Uma pesquisa divulgada pelo Pandapé, um software de recrutamento e seleção, mostra que 27,33% das empresas afirmam estar totalmente adequadas às exigências da NR-1, enquanto 49,84% estão parcialmente adaptadas e 17,04% ainda não iniciaram o processo. “A primeira coisa que todo mundo precisa fazer é mapear para entender quais são os riscos oferecidos para a saúde mental do trabalhador e a partir disso, tomar medidas de correção”, afirma Pimenta. Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude — Foto: Divulgação De acordo com o estudo do Pandapé, 40,51% das empresas afirmam realizar o mapeamento de riscos psicossociais de forma estruturada, enquanto 40,84% fazem parcialmente e 18,65% não realizam nenhum tipo de mapeamento. “Se há um excesso de demanda, por exemplo, é preciso que a empresa olhe para a escala e jornadas de trabalho, ou então, eventualmente, para a contratação de mais funcionários, porque talvez o quadro de funcionários seja menor do que demanda necessita”. Pimenta também explica que fazer esse mapeamento deve ser algo recorrente e que a empresa pode se prevenir por meio de treinamentos e medidas estratégicas. “A NR-01 é uma norma que parte de uma lógica de prevenção, porque é a partir do monitoramento dos dados que você consegue tomar uma ação”.