Muitas coisas encantam sobre os vinhos feitos pela Casa Yague, na indicação geográfica de Trevelin, província no sul da Patagônia argentina. Localizada no estado de Chubut, a propriedade do casal Patricia Ferrari e Marcelo Yagüe foi fundada há pouco mais de uma década, inaugurando, junto a outros poucos pioneiros, uma nova fronteira vitivinícola no continente.

"Estamos na latitude 43°10' sul, tão ao sul quanto a África do Sul, os vinhedos do Chile, a Nova Zelândia; é como se estivéssemos na fronteira sul do mundo", diz o produtor.

Trevelin, que significa povoado do moinho em galês, parece um cartão-postal. Tem montanhas cobertas de gelo (a cordilheira dos Andes), campos com flores coloridas, um ar meio de filme dos anos 1970 quando as imagens da TV tinham cores bem saturadas. Fundado no século 19, é um vale fértil cheio de rios que fica a pouco mais de 300 m de altitude e a 90 km do pacífico. Essas características geográficas interferem decisivamente no perfil de seus vinhos.

Os feitos pela Casa Yague são muito elegantes e equilibrados. Na verdade, mais que isso: dá vontade de bebê-los até o fim dos tempos. Têm ótima acidez, corpo leve a médio, são fáceis de beber, mas não menos complexos por isso. Revelam novos aromas e sabores à medida que repousam na taça.