Pela Ruta 68, que liga a capital chilena a Valparaíso, Santiago se dissolve no retrovisor enquanto o oceano Pacífico começa a se anunciar do outro lado das montanhas. São 12h45 de uma quinta-feira ensolarada. A paisagem muda de tom: o azul profundo do céu parece mais próximo. Nas encostas, marrons e terracotas se espalham em camadas, cortados pelo verde dos parreirais que começam a brotar dos dois lados da estrada. Entre uma curva e outra, surgem placas de vinícolas e caminhos que convidam o viajante a abandonar o roteiro por alguns minutos.
Estamos cruzando o Vale de Casablanca, uma das regiões vinícolas mais conhecidas do Chile, antes de seguir por desvios menores em direção ao Vale do Rosário. A viagem funciona como uma introdução ao destino, menos pela pressa de chegar e mais pelo prazer de atravessar uma geografia que se revela em colinas, com uma luz que insiste em ficar depois que o sol já deveria ter ido embora.
A parada ocorre na Matetic, vinícola aninhada em terras que seguem rumo ao mar, cujo encanto não se restringe aos devotos da taça. Entre caminhadas, boa mesa e a proximidade com a costa, o vinho é menos o destino do que o tom que a estância impõe desde a chegada. Quem chega ali encontra primeiro a quietude do ambiente, interrompida apenas pelo canto dos passarinhos. A propriedade oferece um cardápio de atrações dentro de sua quinta e pelos arredores.












