Batizado de Luce, modelo de quatro portas e cinco lugares dividiu opiniões, virou alvo de piadas nas redes e foi apresentado em meio à queda das ações da montadora Luce, primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari, não agradou os críticos — Foto: Ferrari/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 06:26 Ex-presidente critica Ferrari elétrica por ameaçar tradição da marca Luca Cordero di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, criticou o primeiro carro 100% elétrico da marca, o Ferrari Luce, temendo que destrua a tradição da fabricante italiana. O modelo, elogiado por seu design inovador e criticado por não "gritar Ferrari", gerou reações polarizadas e piadas nas redes sociais. O lançamento ocorre em meio a desafios no mercado de veículos elétricos, com ações da Ferrari em queda após a apresentação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Luca Cordero di Montezemolo, presidente da Ferrari entre 1991 e 2014, criticou duramente o primeiro carro 100% elétrico da história da marca. Batizado de Ferrari Luce, o modelo de quatro portas e cinco lugares marca uma nova etapa da fabricante italiana, mas provocou reação negativa entre fãs, analistas e críticos do setor automotivo. — Se dissesse o que penso, prejudicaria a Ferrari. Há o risco de destruir um mito, e lamento profundamente. Espero que pelo menos retirem o “Cavallino Rampante” deste carro — afirmou Montezemolo a jornalistas, ao chegar a um evento em Roma. Ferrari revela primeiro carro totalmente elétrico de sua história — Foto: Reprodução Questionado sobre a crescente concorrência da indústria automotiva chinesa, o ex-presidente da montadora respondeu com ironia: — Este é certamente um automóvel que pelo menos os chineses não conseguirão copiar. O Luce, que significa “luz” em italiano, foi desenvolvido em colaboração com a LoveFrom, agência fundada por Sir Jony Ive, ex-chefe de design da Apple. O veículo tem 1.000 cavalos de potência, acelera de 0 a 60 milhas por hora — cerca de 96 km/h — em 2,5 segundos e tem autonomia superior a 329 milhas, aproximadamente 529 quilômetros. O modelo conta ainda com quatro motores elétricos, um para cada roda. A Ferrari afirmou que projetar o som do primeiro elétrico foi “um dos desafios mais complexos e inovadores” da história da marca. Para preservar a identidade emocional da fabricante, o carro usa um sistema que amplifica vibrações reais dos componentes elétricos, produzindo um som mecânico autêntico, em vez de simular artificialmente o ronco de um motor a combustão. Primeiro elétrico da Ferrari, Luce chega ao mercado com design inédito e preço milionário — Foto: Reprodução Nas redes sociais, a reação ao design foi intensa. Usuários compararam o Luce a aspiradores de pó, carros amassados e até a um veículo mal desenhado por Homer Simpson. “A Ferrari acabou de matar sua marca, assim como a Jaguar fez. Isto vai direto para o lixo do ferro-velho”, dizia um comentário. O modelo também recebeu críticas de especialistas. Para Matt Prior, editor do site britânico Autocar, o interior é bem executado, mas o veículo não “grita Ferrari”. — A grande questão aqui é que não há um lugar óbvio onde o motor fica, porque não há motor; a bateria vai sob o assoalho, o que naturalmente torna o carro mais alto, e muitos fabricantes precisam lidar com como fazem isso — afirmou Prior. Ferrari Monza SP2: conheça o supercarro sem para-brisa avaliado em mais de R$ 16 milhões 1 de 4 Ferrari Monza SP2 combina visual retrô inspirado nos anos 1950 com motor V12 de 810 cavalos — Foto: Divulgação 2 de 4 Ferrari Monza SP2 combina visual retrô inspirado nos anos 1950 com motor V12 de 810 cavalos — Foto: Divulgação X de 4 Publicidade 4 fotos 3 de 4 Ferrari Monza SP2 combina visual retrô inspirado nos anos 1950 com motor V12 de 810 cavalos — Foto: Divulgação 4 de 4 Ferrari Monza SP2 combina visual retrô inspirado nos anos 1950 com motor V12 de 810 cavalos — Foto: Divulgação X de 4 Publicidade Modelo da Ferrari tem motor V12 de 810 cavalos e produção limitada a 499 unidades. — Isso faz com que pareçam mais altos. Isso torna o visual menos elegante — acrescentou. — Para uma empresa cuja história inteira é baseada em fazer carros dinâmicos e elegantes, talvez seja mais difícil para a Ferrari contornar isso do que para outros fabricantes. Pierre-Olivier Essig, chefe de pesquisa da AIR Capital, escreveu em nota a clientes que o Luce parece uma “mistura entre um Honda Accord EV e um Tesla 3”. “Estamos perdidos na tradução com a nova estratégia da Ferrari”, afirmou. Nem todas as reações, porém, foram negativas. Um usuário classificou o lançamento como “uma aula magistral absoluta de design” e disse que a Ferrari apresentou “um conceito LUCE de tirar o fôlego” e “totalmente revolucionário”. Outro chamou o modelo de “diferente, mas deslumbrante”, enquanto um terceiro escreveu: “Eu adorei: é uma ruptura ousada para a Ferrari, mas é tão moderno e estiloso quanto qualquer EV de quatro portas e cinco lugares poderia ser.” O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, defendeu o lançamento em Roma e disse que o projeto levou meia década para ser desenvolvido. — Estamos convencidos de que uma empresa demonstra sua liderança quando tem coragem de ousar e enfrentar o desafio das novas tecnologias. Ferrari Luce nasceu precisamente deste desafio, oferecendo nossa visão inédita de eletrificação — afirmou. O presidente da marca, John Elkann, também apresentou o novo modelo ao Papa Leão, na residência de verão do pontífice em Castel Gandolfo. “Este é o primeiro Ferrari de quatro portas?”, perguntou Leão. “O primeiro de cinco lugares”, respondeu Elkann. — Não estamos simplesmente revelando um novo carro, estamos inaugurando um capítulo que transforma nossa visão em realidade, fortalecendo a tradição da Ferrari de antecipar e moldar o futuro — disse Elkann, em comunicado. O lançamento ocorre em um momento de incerteza para o mercado global de veículos elétricos. Embora as vendas tenham atingido 20 milhões de unidades no ano passado, segundo a Agência Internacional de Energia, várias montadoras reduziram planos de eletrificação diante de baixa demanda, prejuízos bilionários e aumento da concorrência chinesa. A própria Ferrari, que já vende modelos híbridos, reduziu sua meta para 2030: a previsão de que 40% da linha fosse totalmente elétrica caiu para 20%. Após a apresentação do Luce, as ações da montadora recuaram mais de 8% na Bolsa de Milão e mais de 5% em Nova York.