Muitos puristas acreditavam que o dia nunca chegaria, mas a Ferrari acabou de inaugurar um capítulo inédito na sua história com a revelação do Luce, o seu primeiro modelo totalmente eléctrico. Apresentado em Roma — a mesma cidade onde a marca obteve a sua primeira vitória no automobilismo em 1947 —, este superdesportivo quebra convenções não apenas pela motorização, mas também pelas suas formas e habitabilidade.Trata-se de um automóvel com uma presença visual que rompe com o historial recente do construtor italiano, exibindo linhas fluidas e uma cúpula de vidro contínua, que remete para o minimalismo de alguns objectos tecnológicos de referência. O que não surge por acaso: o desenho do Ferrari Luce foi confiado à LoveFrom, o colectivo criativo liderado por sir Jony Ive e Marc Newson. Como designer-chefe da Apple até 2019, Ive assinou os dispositivos mais icónicos da tecnológica de Cupertino, incluindo o iMac G3, o iPod e o iPhone, e essa filosofia de simplicidade transita agora para as estradas.“Sala” de alta performanceA adopção de uma arquitectura exclusivamente eléctrica permitiu aos engenheiros e designers explorar o espaço interior de uma forma impossível de alcançar com os motores térmicos tradicionais. Pela primeira vez nos quase noventa anos do Cavallino Rampante, um modelo da marca oferece uma configuração de quatro portas e cinco lugares reais, eliminando o habitual túnel central e posicionando as baterias sob o piso.No habitáculo, o ambiente combina o purismo digital com o tacto analógico, integrando ecrãs multifuncionais de última geração desenvolvidos em parceria com a Samsung e controlos físicos de alta precisão através de botões e selectores mecânicos. O objectivo foi criar um espaço amplo e focado na experiência de condução, sem que a tecnologia se torne fria ou excessivamente complexa para quem segue a bordo.