A transição energética é, antes de tudo, um problema de inovação. Não existem meios técnicos para realizá-la na escala e no prazo que o desafio climático exige.
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Vaclav Smil tem repetido um diagnóstico desconfortável: a civilização moderna assenta-se sobre quatro pilares materiais —cimento, aço, plásticos e amônia— produzidos hoje em escala global à base de combustíveis fósseis. Sem amônia obtida do gás natural, metade da humanidade não seria alimentada; sem coque de carvão, não haveria aço primário; sem fornos a hidrocarbonetos, não haveria cimento; sem petroquímica, não haveria plásticos. A densidade energética das baterias atuais é fração da do diesel, sem o qual ainda não há transporte pesado de longa distância. A captura e o armazenamento industrial de carbono em operação no mundo somam pouco mais de 0,1% das emissões anuais. Como Smil tem insistido, faltam ao mundo, hoje, alternativas de larga escala que possam ser implantadas de imediato. As transições energéticas anteriores levaram gerações; estamos no início, e não no meio da próxima.
Diante de algo tão necessário e tão demorado, a reação típica do mundo contemporâneo é institucionalizar a inovação. Criam-se discursos, ritos, departamentos, incubadoras, laboratórios, diretorias e métricas. A aposta é clara: se for organizada, a inovação acontecerá. O problema é que a inovação, como a curiosidade ou a admiração, resiste a esse tipo de captura. É frequentemente iconoclasta, desconfortável, avessa a ritos. Não por acaso, muitos inovadores recusaram mecanismos de consagração institucional, como fez Jean-Paul Sartre ao rejeitar o Nobel.













