Transição exigirá um portfólio diversificado de tecnologias e fontes energéticas. Não se trata de um samba de uma nota só 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Hidrogênio verde produzido a partir de energia solar e água — Foto: Divulgação/UFMG RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/07/2026 - 22:41 "Brasil pode liderar transição energética com soluções inovadoras" A descarbonização mundial requer um portfólio diversificado de tecnologias, não se limitando ao hidrogênio verde. Embora haja grandes investimentos em hidrogênio de baixo carbono, a complexidade do cenário exige múltiplas soluções, incluindo hidrogênios azul e rosa, além de outras fontes. O Brasil, com sua matriz energética renovável, tem potencial para se destacar na transição energética ao desenvolver soluções próprias e inovadoras, aproveitando seus recursos naturais e capacidade científica. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Há uma percepção consolidada de que o hidrogênio verde, produzido a partir de fontes renováveis como energia solar e eólica, é o principal combustível da descarbonização global. Governos, empresas e investidores anunciaram centenas de projetos e comprometeram recursos expressivos nessa direção. Segundo o Hydrogen Council, os investimentos em projetos de hidrogênio de baixo carbono já superam US$ 110 bilhões em todo o mundo. Ainda assim, a Agência Internacional de Energia observa que grande parte dos projetos permanece em estágios iniciais e enfrenta desafios relacionados a custos, infraestrutura e criação de demanda. Cresce, assim, a percepção de que não haverá uma rota única capaz de conduzir a transição energética. O hidrogênio faz parte do futuro energético. Mas reduzi-lo a uma solução única, associada a uma rota tecnológica única, é uma leitura simplificada de um cenário mais complexo. A descarbonização da economia exigirá um portfólio diversificado de tecnologias e fontes energéticas. Não se trata de um samba de uma nota só. A discussão internacional sobre o hidrogênio vem incorporando diferentes rotas de produção. Além do hidrogênio verde, ganham espaço alternativas como o hidrogênio azul, turquesa e rosa, cada uma com vantagens, limitações e oportunidades. Nesse contexto, o Brasil reúne condições favoráveis. O país dispõe de uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, abundância de gás natural e disponibilidade de biometano e biomassa sustentável. Essas características ampliam as possibilidades de inserção competitiva do país na nova economia energética. O hidrogênio com maior potencial de se tornar realidade no Brasil nos próximos anos não será necessariamente apenas o produzido por eletrólise da água com energia solar e eólica. Tecnologias como a reforma de metano com captura de carbono, a pirólise de metano e o aproveitamento sustentável da biomassa apresentam viabilidade técnica crescente e potencial de competitividade econômica. Também é um equívoco imaginar que o hidrogênio será a melhor solução para todos os usos. Nem toda demanda energética será atendida de forma eficiente por esse vetor. Em alguns casos, outras soluções podem oferecer melhor desempenho técnico e econômico. Os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) já oferecem uma alternativa concreta para reduzir emissões usando, em grande medida, a infraestrutura existente. A transição energética exige uma abordagem pragmática. Não se trata de escolher vencedores antecipadamente, mas de desenvolver e combinar diferentes tecnologias de acordo com as características de cada setor econômico e de cada realidade nacional. O Brasil ocupa posição privilegiada nesse debate. Além da disponibilidade de recursos energéticos, possui competência científica, capacidade industrial e experiência em inovação para desenvolver soluções adaptadas a suas necessidades e oportunidades. Não precisa importar um modelo pronto de transição energética. Pode e deve construir sua própria trajetória, aproveitando seus recursos naturais, sua capacidade científica e suas competências industriais. Limitar nossa estratégia ao modelo concebido por países com realidades energéticas muito distintas da brasileira significa restringir nosso potencial de inovação, industrialização e geração de riqueza. Em uma economia continental como a brasileira, a competitividade futura dependerá menos da adoção de uma tecnologia específica e mais da capacidade de combinar diferentes soluções de forma eficiente. O desafio não é escolher entre cores, mas construir uma estratégia nacional de descarbonização que transforme recursos naturais, conhecimento científico e capacidade industrial em vantagens competitivas duradouras. *Alvaro Prata é presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Marcelo Prim é diretor de operações da Embrapii