Washington mexeu em duas fronteiras nas quais o Brasil ainda avança empurrado por decisões judiciais: cannabis medicinal e psicodélicos terapêuticos.
Não se trata de legalização ampla nem de liberação recreativa. O ponto é mais básico: admitir que saúde, pesquisa e regulação respondem melhor que cegueira punitiva. No caso da cannabis, o Departamento de Justiça anunciou que produtos com cannabis aprovados pela agência federal FDA ("Food and Drug Administration") e produtos de cannabis medicinal cobertos por licença estadual qualificada foram colocados no "Schedule 3".
Eles deixam a categoria federal mais restritiva, onde estavam ao lado da heroína, e passam para a faixa do Tylenol. A mudança prática é limitada. Ela não derruba a ilegalidade federal da cannabis, não resolve transporte interestadual, sistema bancário ou penas já aplicadas. Ainda assim, o recado político é relevante: o governo, por iniciativa própria, admitiu uma via federal para tratamento, pesquisa e informação clínica.
Nos psicodélicos, o movimento segue lógica parecida. A Casa Branca publicou ordem executiva para acelerar pesquisas e aprovações de tratamentos para transtornos mentais graves, priorizar substâncias com designação de terapia inovadora pela FDA, criar caminho de acesso pela legislação "Right to Try" ("Direito de Tentar") e destinar ao menos US$ 50 milhões a parcerias com estados. A direção é ampliar pesquisa federal, apoiar ensaios clínicos e permitir acesso em ambientes terapêuticos controlados.












