PUBLICIDADE TCE tinha apontado valor diferente que a PGR em montante investido nas financeiras de Daniel Vorcaro Sede do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do estado do Rio, que está no centro da investigação sobre aportes bilionários ligados ao Banco Master — Foto: Divulgação/Rioprevidência RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 18:25 STF Autoriza Busca em Investigação de Corrupção contra Cláudio Castro O ministro do STF, André Mendonça, determinou uma operação de busca e apreensão contra Cláudio Castro, relacionada a suspeitas de corrupção envolvendo aportes do governo do Rio no Banco Master, que totalizaram R$ 3,6 bilhões. A investigação apura se os investimentos do Rioprevidência e da Cedae no conglomerado de Daniel Vorcaro foram irregulares. A PF investiga a possibilidade de propinas para inflar aportes no banco, que foi liquidado em novembro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na decisão que determinou a operação de busca e apreensão contra Cláudio Castro (PL) nesta terça-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça citou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) estimou que o Banco Master captou R$ 3,961 bilhões do governo fluminense. As investigações da Polícia Federal querem entender se o investimento no conglomerado de Daniel Vorcaro foi ilegal e fruto de corrupção. Em 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) havia identificado que o Rioprevidência, fundo que gere pensões e aposentadorias de servidores, tinha investido cerca de R$ 2,5 bilhões no Master e fundos geridos pelo banco ou suas empresas associadas. Desse montante, R$ 970 milhões eram de Letras Financeiras do Master, que venceriam em 2033, e não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O restante do valor era de aportes em fundos de investimentos geridos ou administrados por corretoras ligadas ao Master. Um desses aportes foi de R$ 100 milhões no fundo Texas I FIA, que têm 96% da carteira em ações da Ambipar — que está em recuperação judicial e derreteu na bolsa de valores. Os aportes desse investimento foram feitos em junho de 2025. Outro investimento foi no Arena Fundo de Investimento em Renda Fixa / Título Público — de R$ 660 milhões. No entanto, já havia aportes que somavam R$ 440 milhões. A aplicação também causou estranheza aos técnicos do tribunal. A primeira aplicação, de R$ 50 milhões, foi feita em 19 de dezembro do ano passado — um dia após o fundo ser aberto. E não só isso. O Rioprevidência é o único cotista da carteira de investimentos, que até agosto de 2025 rendeu apenas 4,05%, menos que a poupança (5,47%). Na decisão desta terça-feira, André Mendonça destacou os valores apurados pela PGR, mas não detalhou se eram contabilizados também os investimentos pela Cedae, que aportou R$ 250 milhões no Master. "No ponto, a relação de Daniel Bueno Vorcaro e Cláudio Bomfim de Castro e Silva trazida aos autos ultrapassou o mero contato institucional, alcançando indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação de um total de R$ 3.691.000.000,00 em investimentos no Banco Master, somando-se os montantes aplicados em fundos e Letras Financeiras", escreveu a PGR. A operação contra Castro No último dia 15, Castro foi alvo de uma operação que apura suspeitas de fraude no setor de combustíveis. Desta vez, o motivo da ação da PF foi a investigação de aportes feito pelo Governo do Estado do Rio, por meio do Rioprevidência, em fundos ligados ao Banco Master. Além de Castro, são alvo integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes considerados suspeitos feitos pelo Rioprevidência em letras financeiras do Master. As operações teriam movimentado cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024. Nesta nova fase da investigação, os policiais apuram ainda aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões realizadas, a partir de julho de 2024, em fundos de investimento ligados à mesma instituição financeira. Somadas, as transferências do Rioprevidência teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões. Os recursos teriam saído principalmente do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil beneficiários estaduais, além da Cedae, estatal de abastecimento de água do estado. O Banco Master foi liquidado em novembro, após a prisão do seu fundador, Daniel Vorcaro, por suspeita de fraudes financeiras. A PF apura o pagamento de propina a agentes públicos para conseguir aumentar os aportes no Master, a criação de fundos fictícios para inflar o valor do banco, além da utilização de uma rede de fundos de investimentos para esconder a origem dos recursos. As suspeitas de investigadores é que Vorcaro utilizava suas relações com políticos para obter vantagens. É neste contexto que a PF apura irregularidades nos aportes feitos pela Rioprevidência, à época comandado por Deivis Marcon Antunes, indicado ao cargo por caciques do União Brasil. Nesta terça-feira, no momento da ação policial, Castro — que colaborou com as buscas "com serenidade", de acordo com o seu advogado — estava acompanhado da mulher e da sogra no imóvel. Dois celulares do ex-governador foram apreendidos.
Como os aportes do Rio no Master saltaram de R$ 2,5 bi para R$ 3,6 bilhões
TCE tinha apontado valor diferente que a PGR em montante investido nas financeiras de Daniel Vorcaro














