Após se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), representantes do setor produtivo criticaram a tramitação do projeto que altera a escala 6x1 e pediram mais tempo de discussão. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que a proposta é “eleitoreira” e que a Câmara está sendo “irresponsável”. Skaf afirmou que a discussão mistura dois temas diferentes: a escala de trabalho e a jornada semanal. Segundo ele, a média real de jornada no país já estaria em torno de 38 horas semanais, abaixo do limite constitucional de 44 horas, e cerca de 30% dos trabalhadores atuariam hoje no modelo 6x1. Para o presidente da Fiesp, qualquer mudança precisa considerar as diferenças entre setores econômicos. “Temos que entender cada setor. Cada um tem sua particularidade. Normalmente, isso é tratado por livre negociação. São setores diferentes, são mais de 2 mil setores. Para mexer nisso, precisa analisar com bastante cautela”, afirmou. A mudança na jornada de trabalho é debatida pela proposta de emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1. O texto está em tramitação na Câmara e tem o apoio do governo federal. A PEC deve ser votada em breve pela comissão especial da Casa e, em seguida, pelo plenário. Se aprovada, a proposta precisa tramitar no Senado. O presidente da Fiesp disse ainda que o limite de 44 horas semanais previsto na Constituição não corresponde à realidade da maior parte das empresas e criticou a possibilidade de retirar da negociação coletiva a definição sobre a organização das escalas. Segundo ele, esse foi um dos pontos centrais da reforma trabalhista, aprovada após décadas de discussão. “Estão querendo tirar o que há de mais moderno no mundo, que é a negociação. Tirar isso da reforma trabalhista, que demorou 70 anos para ser construída, é um erro”, afirmou. Skaf também criticou a tramitação da proposta na Câmara. Para ele, faltou diálogo com o setor produtivo, e o tema foi tratado de forma “açodada”. “Não é assim que se discute um tema de interesse do país. Estamos falando de coisa séria”, disse. Na avaliação do dirigente, o governo passou a tratar o fim da escala 6x1 como uma bandeira eleitoral. Ele comparou a estratégia à discussão sobre a chamada “taxa das blusinhas” e afirmou que medidas desse tipo criam insegurança para as empresas. “Não adianta a gente enganar. Estamos perdendo empresas para o Paraguai”, declarou. Depois da reunião, Skaf disse que Alcolumbre ouviu os argumentos dos empresários com atenção e teria demonstrado compreensão sobre a complexidade do tema. Segundo ele, o presidente do Senado reconheceu que a proposta envolve impactos diferentes para indústria, comércio, agronegócio, bares, restaurantes e shopping centers. O setor produtivo espera que, no Senado, a proposta tenha uma tramitação mais lenta e com maior participação dos segmentos afetados. “A esperança é que o Senado trate esse assunto com mais serenidade e de forma mais democrática. Não queremos ter uma situação engessada no país”, afirmou Skaf. A reação dos empresários ocorre em meio à aceleração da discussão sobre o fim da escala 6x1 na Câmara. Na segunda-feira (25), a comissão especial que analisa a proposta começou a discutir o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O texto prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas, sem redução de salários. Pelo relatório, a transição ocorreria em duas etapas. Sessenta dias após a promulgação da PEC, a jornada cairia de 44 horas para 42 horas semanais e o trabalhador passaria a ter dois dias de descanso por semana. Após 12 meses, a jornada seria reduzida para 40 horas semanais. O acordo em torno do texto foi anunciado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao lado dos ministros Luiz Marinho, do Trabalho, e José Guimarães, das Relações Institucionais. Motta afirmou que três pontos são considerados inegociáveis: a redução da jornada, o fim da escala 6x1 e a manutenção dos salários. A proposta ainda precisa ser votada pela comissão especial e, depois, pelo plenário da Câmara, antes de seguir para o Senado.
Setor produtivo pede a Alcolumbre mais tempo para debater fim da 6x1 e critica proposta
Paulo Skaf, da Fiesp, diz que PEC é "eleitoreira" e que a Câmara está sendo "irresponsável"












