"A pior coisa que você pode fazer em uma negociação é parecer desesperado para fechá-la. Isso faz o outro cara sentir cheiro de sangue, e aí você está morto. A melhor coisa que você pode fazer é negociar a partir de uma posição de força, e poder de barganha é a maior força que você pode ter."
Esse foi o princípio que Donald Trump (ou seu ghostwriter) estabeleceu em "A Arte da Negociação", publicado em 1987. Talvez Trump devesse ter relido seu próprio livro antes de postar em 5 de abril: "Abram a porra do estreito, seus malucos do caralho, ou vão viver no inferno!"
Para olhos destreinados, essa exigência soou um tantinho desesperada —particularmente quando Trump não cumpriu suas ameaças de desencadear violência infernal contra o Irã.
A dura realidade é que, nas negociações para encerrar a guerra, foi Teerã que teve o trunfo. O fechamento do estreito de Hormuz pelo Irã colocou intensa pressão sobre a economia global. À medida que os preços da gasolina subiram nos Estados Unidos, os índices de aprovação de Trump nas pesquisas despencaram.
O resultado é que, no momento em que escrevo, os EUA parecem prestes a concordar com um acordo que —no longo prazo— ameaça deixar o Irã em uma posição mais forte do que antes do início desta guerra.











