A farmacêutica EMS traçou metas ambiciosas para o primeiro ano de comercialização do Ozivy, a primeira semaglutida sintética aprovada pela Anvisa no Brasil. Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (26), a empresa projetou que o medicamento alcance um faturamento superior a R$ 500 milhões nos primeiros 12 meses de mercado. Estratégia é vender mais barato que o Ozempic. Para sustentar essa meta, a companhia planeja uma estratégia de abastecimento robusta, com a oferta de 350 mil unidades já no primeiro mês de lançamento e uma expectativa de comercializar 1,2 milhão de canetas em um ano. O vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, destacou que o potencial do novo fármaco deve elevar o Ozivy ao posto de principal produto da companhia em curto prazo. “Muito provavelmente, a tendência é que, nos primeiros 12 meses ou até antes, ele seja o produto de maior faturamento da empresa e também de maior potencial”, afirmou o executivo. A estimativa é que o medicamento represente entre 4% e 5% do faturamento total do grupo já no seu primeiro ciclo de vida. Para ganhar mercado, a EMS adotará posicionamento de preço agressivo, com o Ozivy chegando às farmácias por cerca de 30% abaixo do valor da principal opção biológica atual, o Ozempic. Além do preço ao consumidor, a empresa mira o apoio das redes de farmácias ao oferecer margens mais atrativas para o setor. Enquanto medicamentos biológicos hoje deixam cerca de 15% de margem para o varejo, a EMS sinaliza que a concorrência com produtos sintéticos pode elevar esse patamar para 30% a 40% no futuro, conforme a concorrência aumente. A logística de distribuição será “horizontalizada”, enviando o produto para o maior número possível de pontos de venda para evitar a concentração em poucas redes e mitigar riscos de desabastecimento. Um ponto crítico para a operação logística é a conservação: ao contrário do medicamento originador, o Ozivy exige refrigeração constante (entre 2°C e 8°C), inclusive durante todo o período de uso pelo paciente. Sanchez reforçou que a empresa está preparada para essa complexidade logística com investimentos proativos na cadeia de frio. De acordo com a empresa, a comercialização efetiva do produto depende agora apenas da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), protocolo que a empresa confirmou ter realizado nesta terça-feira. A expectativa é que o medicamento esteja disponível nas prateleiras em um prazo de 30 dias após essa definição regulatória. Empresa investiu mais de R$ 1 bi em Hortolândia, SP A aprovação do Ozivy pela Anvisa integra a estratégia global da EMS voltada a medicamentos de alta complexidade, denominada pela companhia de “plataforma de peptídeos”. Marcus Sanchez afirmou que a farmacêutica investiu mais de R$ 1 bilhão nos últimos dois anos para ampliar sua capacidade produtiva em Hortolândia (SP). Segundo ele, a companhia prevê uma nova rodada de investimentos para 2027 e 2028, com foco na ampliação de sua atuação no mercado de terapias metabólicas. De acordo com a EMS, os Estados Unidos são um dos principais focos da estratégia da empresa. A companhia informou que já protocolou no FDA (regula ora sanitária do país) o pedido relacionado à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, utilizando a estratégia conhecida como “First to File”, em que empresas buscam submeter versões sintéticas antes da expiração das patentes. “Esse produto [Ozivy] reposiciona não só a EMS, mas a indústria nacional, mostrando a capacidade de inovação que temos”, afirmou Sanchez. A expansão da estrutura técnica incluiu a contratação de farmacêuticos e pesquisadores com doutorado para atuar na unidade de Hortolândia. Segundo a empresa, a planta dedicada a medicamentos da classe GLP-1 foi preparada antecipadamente para iniciar a operação após a concessão do registro. A EMS afirmou ainda que mantém capacidade produtiva disponível para reduzir riscos de desabastecimento. No mercado brasileiro, a empresa projeta ampliar sua participação no segmento de semaglutida nos próximos 24 meses. O Ozivy foi registrado inicialmente para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, mas a EMS informou que prepara protocolos regulatórios para solicitar a inclusão da indicação para obesidade em bula. Até eventual aprovação, a promoção médica do produto permanecerá restrita ao controle glicêmico, em linha com as diretrizes da Anvisa. Segundo Sanchez, o desenvolvimento de análogos sintéticos representa um desafio técnico para a indústria farmacêutica. O executivo afirmou ainda que a Anvisa está entre as primeiras agências reguladoras a aprovar esse tipo de produto, e que o nível de exigência regulatória pode influenciar o número de empresas aptas a atuar nesse mercado no curto prazo.
Ozivy, caneta emagrecedora da EMS, chegará às farmácias cerca de 30% mais barata que Ozempic
Farmacêutica projeta faturar R$ 500 milhões com Ozivy, 1ª caneta emagrecedora sintética do país aprovada pela Anvisa; empresa investiu mais de R$ 1 bi em Hortolândia, SP












