A semaglutida é o princípio ativo dos medicamentos Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, e Wegovy, aprovado para tratamento da obesidade. Desde a queda da patente, em março deste ano, diversas farmacêuticas passaram a disputar espaço em um mercado que movimenta bilhões de reais e transformou as chamadas "canetas emagrecedoras" em um dos produtos mais procurados da indústria farmacêutica. O Ozivy foi registrado como um "medicamento novo" por uma modalidade chamada desenvolvimento abreviado, utilizada para produtos que se baseiam em substâncias já conhecidas, mas que ainda precisam demonstrar qualidade, segurança e eficácia perante a agência reguladora. A aprovação ocorre após meses de análise da Anvisa. Até então, nenhum produto baseado em semaglutida havia conseguido autorização para chegar ao mercado desde a expiração da patente. Em abril, a agência chegou a negar alguns pedidos por falhas na documentação e na comprovação de requisitos técnicos. Segundo a publicação oficial, o Ozivy foi aprovado em apresentações de solução injetável para aplicação subcutânea, com diferentes volumes e acompanhadas de canetas aplicadoras e agulhas. A EMS ainda não deu detalhes sobre a comercialização. Ozempic: Com queda de patente o preço vai cair? Vamos ter versão genérica? Corrida bilionária após a queda da patente O registro representa um marco em uma corrida iniciada ainda antes da expiração da patente. Levantamento feito pelo g1 mostrou que ao menos 17 pedidos envolvendo medicamentos à base de semaglutida estavam em tramitação na Anvisa. Os processos começaram a ser protocolados em 2023, antecipando o interesse da indústria pela abertura do mercado. Na época, a própria agência informou que os produtos passavam por uma avaliação rigorosa devido à complexidade da molécula. Entre os pontos analisados estavam estudos de imunogenicidade, controle de impurezas e métodos capazes de detectar pequenas alterações na estrutura da substância. "O que estamos falando é de um produto que está na fronteira entre um sintético e um biológico", afirmou anteriormente ao g1 o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Raphael Sanches. Preço pode cair? A entrada de concorrentes tende a aumentar a competição em um mercado que, até março deste ano, era exclusivo da Novo Nordisk. Com mais fabricantes disputando espaço, a expectativa é de que os preços diminuam gradualmente ao longo dos próximos anos. Isso porque a semaglutida não tem versões genéricas tradicionais. Por se tratar de uma molécula complexa, os novos produtos precisam seguir caminhos regulatórios próprios e demonstrar qualidade, eficácia e segurança. Em reportagem anterior, o g1 mostrou que o próprio Ministério da Saúde avalia que a entrada de novos fabricantes pode ampliar o acesso ao tratamento no futuro. A concorrência já começou a produzir efeitos no mercado. Recentemente, a Novo Nordisk anunciou estratégias comerciais para ampliar o acesso a seus produtos, incluindo condições especiais para algumas apresentações do Wegovy e ajustes de preços do Rybelsus. Por enquanto, a EMS ainda não divulgou preço nem previsão de lançamento do Ozivy. Se a patente do Ozempic caiu, por que a gente ainda não tem uma versão brasileira? O que foi aprovado Segundo a resolução publicada pela Anvisa, o Ozivy recebeu registro válido até junho de 2036 e foi aprovado nas seguintes apresentações: Solução injetável de 1,34 mg/ml em cartucho de 1,5 ml com caneta aplicadora;Solução injetável de 1,34 mg/ml em dois cartuchos de 1,5 ml;Solução injetável de 1,34 mg/ml em cartucho de 3 ml;Solução injetável de 1,34 mg/ml em dois cartuchos de 3 ml. A empresa ainda precisará concluir etapas comerciais e de distribuição antes de disponibilizar o medicamento nas farmácias.
Anvisa aprova primeira versão nacional de semaglutida após fim da patente da Novo Nordisk | G1
Ozivy, da EMS, usa o mesmo princípio ativo do Ozempic e do Wegovy e é o primeiro medicamento baseado em semaglutida a obter registro no Brasil desde a abertura do mercado para novos concorrentes.













