Cobertura do ex-governador do Rio foi um dos endereços que passou por busca e apreensão Agentes da Polícia Federal deixam prédio de Cláudio Castro; foram apreendidos dois celulares, diz advogado — Foto: Fabiano Rocha RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 10:49 PF Apura Aportes Suspeitos em Operação na Casa de Ex-Governador do Rio A Polícia Federal realizou uma operação na cobertura do ex-governador do Rio, Cláudio Castro, apreendendo dois celulares. A ação faz parte de uma investigação sobre aportes suspeitos do Rioprevidência no Banco Master, que somam R$ 3 bilhões. A operação ocorre em meio a um ano eleitoral, levantando suspeitas de motivações políticas. Castro, inelegível até 2030, colaborou com as buscas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Agentes da Polícia Federal estiveram na cobertura do ex-governador Cláudio Castro na manhã desta terça-feira, durante operação — que cumpre 10 mandados de busca e apreensão — que investiga aportes feitos pelo Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio (Rioprevidência), do Governo do Rio. Na porta do condomínio Península, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, o advogado Carlo Luchione informou que dois celulares foram apreendidos no imóvel. — (Foram apreendidos celulares:) Um antigo, que não tinha uso, e um que ele adquiriu depois da outra busca, que foi há cerca de dez dias — detalhou Luchione, que tratou a operação como uma "surpresa". — Cláudio colaborou nas buscas, não tendo havido qualquer intercorrência. Esta é a segunda operação da PF da qual Castro é alvo em onze dias. Na outra vez, o motivo das buscas em seu endereço era a apuração sobre fraude no setor de combustíveis. — São casos separados, mas é muito cedo para nós falarmos de algo diferente, mas a minha opinião é que isso é muito político também. Não são operações políticas, elas são baseadas em em algum algum momento da investigação que aponta algo a ele. Mas vejo isso tudo, nesse momento que nós estamos passando, de eleições, vejo que é possível que seja — completou o advogado, mencionando que as operações ao Banco Master envolvem "vários setores" e o "aval do Banco Central". — Nós não conseguimos entender ainda que tipo de envolvimento podem ter atribuído a ele (Cláudio Castro). Nós ainda não tivemos acesso à decisão. O ex-governador do Rio, que renunciou ao cargo em março deste ano para concorrer ao Senado nas próximas eleições, acabou condenado por abuso de poder político e econômico pelo Tribunal Superior Eleitoral, em referência à sua campanha de 2022. Castro foi condenado inelegível até 2030. Durante as buscas, acompanhadas "com serenidade" por Castro, o advogado do ex-governador informa ainda que o imóvel também era ocupado pela mulher e pela sogra do alvo da operação. Aportes no Banco Master A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes considerados suspeitos feitos pelo Rioprevidência em letras financeiras do Master. As operações teriam movimentado cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024. Nesta nova fase da investigação, os policiais apuram ainda aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões realizadas, a partir de julho de 2024, em fundos de investimento ligados à mesma instituição financeira. Somadas, as transferências do Rioprevidência teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões. Os recursos teriam saído principalmente do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil beneficiários estaduais, além da Cedae, estatal de abastecimento de água do estado. O Banco Master foi liquidado em novembro, após a prisão do seu fundador, Daniel Vorcaro, por suspeita de fraudes financeiras. A PF apura o pagamento de propina a agentes públicos para conseguir aumentar os aportes no Master, a criação de fundos fictícios para inflar o valor do banco, além da utilização de uma rede de fundos de investimentos para esconder a origem dos recursos. As suspeitas de investigadores é que Vorcaro utilizava suas relações com políticos para obter vantagens. É neste contexto que a PF apura irregularidades nos aportes feitos pela Rioprevidência, à época comandado por Deivis Marcon Antunes, indicado ao cargo por caciques do União Brasil. Nesta terça-feira, os agentes federais saíram para cumprir 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Além de Castro, são alvo integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).