A operação da Starbucks na Coreia do Sul registrou uma queda “muito significativa” nas vendas após uma campanha de marketing associada à repressão militar contra manifestantes pró-democracia em 1980 provocar forte reação pública, afirmou nesta terça-feira (26) um executivo do Shinsegae Group, controlador da rede no país. A varejista, cuja subsidiária E-Mart opera a Starbucks Coreia, vem sendo alvo de críticas pela campanha chamada “Dia do Tanque”, que usava copos térmicos em referência ao aniversário do Levante de Gwangju, em 18 de maio. Na ocasião, o regime militar mobilizou tropas e tanques para reprimir manifestações pró-democracia. Durante entrevista coletiva, o presidente do Shinsegae, Chung Yong-jin, pediu desculpas publicamente e apelou para que consumidores não direcionem a indignação aos funcionários da rede. “Levo muito a sério o fato de o marketing inadequado da Starbucks Coreia ter ferido e irritado muitas pessoas”, afirmou. “Assumirei total responsabilidade pelo incidente.” Estima-se que centenas de pessoas tenham morrido ou desaparecido durante a repressão conduzida pela ditadura militar de Chun Doo-hwan aos protestos em Gwangju. Muitos detalhes do episódio permanecem sem confirmação, incluindo quem ordenou a abertura de fogo contra manifestantes. As ações da Shinsegae chegaram a cair 2,8% nas negociações da manhã, mas inverteram o movimento e subiam 1,7% por volta das 10h16 no horário local. Já os papéis da E-Mart avançavam 2,3%, ante alta de 3,2% do índice Kospi. Segundo um porta-voz do Shinsegae, as vendas da Starbucks Coreia sofreram forte retração desde o início da controvérsia. A empresa conduz uma investigação interna para apurar se houve intenção deliberada ou má conduta de executivos e funcionários envolvidos na campanha. “Embora as vendas não sejam nossa principal preocupação neste momento, observamos uma queda muito significativa”, disse o representante. A empresa informou que a campanha foi organizada pela equipe de comércio eletrônico da Starbucks Coreia e aprovada por líderes de equipe e executivos. A investigação, porém, ainda não encontrou evidências de intenção deliberada. Segundo o grupo, o episódio revelou “falhas graves” na estrutura de gestão de riscos da companhia. A equipe de e-commerce estaria excessivamente focada em metas comerciais e no grande volume de promoções semanais, o que levou à aprovação da campanha sem revisão adequada ou análise jurídica. A matriz global da Starbucks nos Estados Unidos acompanha o caso e recebe atualizações sobre a investigação e as medidas adotadas pela operação sul-coreana, acrescentou a companhia. Na semana passada, o Shinsegae demitiu o diretor da Starbucks Coreia após pedidos públicos de desculpas pela campanha. A operação global da Starbucks também se desculpou e informou ter aberto investigação. Segundo a empresa de dados Wiseapp, a Starbucks é a principal rede de alimentação e bebidas da Coreia do Sul em número estimado de clientes nos seis meses encerrados em fevereiro. Documentos da companhia mostram que a operação Starbucks Korea é controlada pela SCK Company, da qual a E-Mart detém 67,5%, enquanto o fundo soberano de Cingapura (GIC) possui os 32,5% restantes. — Foto: Reuters/Mohammad Khursheed/Foto de Arquivo