Ajuda, Luciano. Cortaram o Bolsa Família. O programa perdeu R$ 30 bilhões em apenas dois anos. R$ 30 bilhões é o que o Bolsa Família gastava antes da pandemia. Tiraram um Bolsa Família velho do Bolsa Família novo, e ninguém está falando disso.PUBLICIDADEEm março, a despesa acumulada com o Bolsa em 12 meses caiu abaixo de R$ 160 bilhões. Há dois anos, eram quase R$ 190 bilhões. O Bolsa Família tem passado por sucessivos cortes reais em seu orçamento. Claro, o programa cresceu muito na esteira da pandemia, e o mercado de trabalho melhorou. Mas, na sua história, ele jamais sofreu cortes tão significativos. Enquanto sociedade, nunca discutimos: quanto queremos gastar com o programa? De intocável, o programa entrou na tesoura.Luciano Huck fez algum questionamento sobre as portas de saída do Bolsa Família, em um evento do Esfera Foto: Werther Santana/EstadãoAjuda, Luciano. Em 2020, o Congresso botou R$ 600 como valor da ajuda para os mais pobres diante do distanciamento social. O presidente Lula prometeu voltar o valor nas eleições. E o valor é o mesmo até agora. Nunca foi reajustado. Se mantivesse o valor de abril de 2020 neste abril de 2026, os R$ 600 seriam R$ 840. O benefício pago a famílias pobres perdeu 30% do seu valor. Benefícios do INSS, o FAT e até o BPC são protegidos da inflação. O governo deu reajuste a servidores. O Bolsa Família não recebeu, e ninguém fala disso.PublicidadeQual deve ser o valor do Bolsa? É outra pergunta que não fizemos. Como o silencioso corte no seu orçamento, o piso do benefício também tem sido reduzido sem ninguém perceber.Luciano Huck fez algum questionamento sobre as portas de saída do Bolsa Família, em um evento do Esfera. Recebeu críticas. O ímpeto dos defensores do programa poderia ser redirecionado. O governo vem cortando o orçamento e o valor real do benefício, talvez porque concorde em algum grau com questionamentos como o feito por Luciano. A discussão deveria se dar de forma mais aberta. Para a preocupação de Huck, insisto na ideia da renda universal infantil, solução adotada por vários países que evita desestimular o trabalho de beneficiários. A vulnerabilidade da família é atestada pela presença de crianças no domicílio, não por quanto ela ganha. Leia outras colunas de Pedro Fernando Nery Brasil perde sistematicamente espaço na economia mundialO futuro do Brasil, segundo um Prêmio NobelO Estado contra o crescimento: reforma administrativa deveria incluir o ‘custo da inação’Se um adulto consegue emprego, a família continua recebendo do mesmo jeito. Uma regra simples e de fácil operacionalização, que faz sentido em um país em que a pobreza está desproporcionalmente concentrada em crianças.O IBGE divulgou neste mês um alerta para a renda dos mais pobres: “apesar do expressivo crescimento acumulado no período de 2019 a 2025, nota-se, no último ano, um arrefecimento da taxa de expansão do rendimento desse grupo”. Por que não falar sobre o Bolsa Família? Publicidade
Opinião | Bolsa Família: de intocável, o programa entrou na tesoura, Luciano; quanto queremos gastar?
A discussão deveria se dar de forma mais aberta; para a preocupação de Huck, insisto na ideia da renda universal infantil, solução adotada por vários países que evita desestimular o trabalho de beneficiários
O Bolsa Família perdeu R$ 30 bi em dois anos; o benefício de R$ 600 não foi corrigido desde 2020, valendo hoje 30% menos em termos reais. O corte silencioso sinaliza uma escolha fiscal não debatida, com reflexo direto na demanda interna e na renda das camadas vulneráveis.













