As críticas do apresentador Luciano Huck ao Bolsa Família no sábado (23), durante evento do Esfera Brasil, reacenderam um debate antigo sobre a eficiência de programas de transferência de renda.

"O prefeito da cidade de Senhor do Bonfim [BA] tem 56% da sua economia no Bolsa Família. O que acontece? Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família", afirmou o apresentador.

"Na verdade, elas criam atalhos para conseguir ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum [eternamente]. A gente precisa criar um estímulo. Como é que você motiva a família que precisa, necessita do Bolsa Família, a ter vontade de querer sair desse programa?"

A dita dependência "eterna", porém, não encontra respaldo em estudos sobre o programa.

Uma pesquisa da FGV apontou que 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025. O levantamento, intitulado "Filhos do Bolsa Família: Uma Análise da Última Década do Programa", usou dados do governo federal e acompanhou famílias inscritas no CadÚnico (Cadastro Único dos Benefícios Sociais) para mapear os efeitos da assistência sobre as gerações mais novas.