O comentário mais importante e esclarecedor dos últimos tempos sobre os dilemas fiscais do Brasil foi feito pelo meu companheiro botafoguense Helio de la Peña, um dos inesquecíveis e insubstituíveis Cassetas, porém, referindo-se à crise financeira da SAF alvinegra:PUBLICIDADE“Não conheço nenhum botafoguense que preferisse estar com as contas em dia e sem a Glória Eterna”.Em outras palavras, o “equilíbrio fiscal” da SAF, ou do Botafogo em seu conjunto (a SAF mais o que se designa como o “associativo”, ou seja, o clube) não tem a menor importância diante dos resultados esportivos, especialmente tendo em vista os títulos conquistados no exercício fiscal de 2024.O torcedor de futebol costuma não ter interesse no endividamento nem no
superávit primário ou secundário de uma SAF Foto: Gregory Bull/APO torcedor não tem interesse no endividamento nem no superávit primário ou secundário da SAF, tampouco nos detalhes da alavancagem societária de John Textor, ou se o crédito trabalhista contra o associativo tem senioridade no contexto da RJ da SAF.O importante é ter alguém botando dinheiro no time, e sem perspectiva de tirar.PublicidadeMas, antes de concluir que o torcedor alvinegro é a prova viva da teoria econômica de Dilma Rousseff (pela qual gasto é vida, ou a vida é o gasto), em oposição ao malsinado “pensamento ortodoxo” e sua obsessão com as contas no azul e a sustentabilidade financeira, vamos prestar atenção num fato muito básico:Torcedor não é acionista, nem contribuinte. Torcedor tem zero responsabilidade pelos resultados financeiros e toda a autoridade do mundo para cobrar resultados esportivos.É estranho e delicado o alinhamento de incentivos de investidores nesse modelo de SAF. Mas o assunto desta coluna é a economia e, com efeito, a lógica é diferente, quando se pensa o Brasil, essa república federativa que joga de amarelo. Todo mundo é contribuinte, antes mesmo de ser torcedor. Isso muda tudo, ou será que não?PublicidadeUm país não pode seguir indefinidamente tomando dinheiro emprestado de forma irresponsável apenas para cumprir objetivos efêmeros & eleitoreiros, como algumas dessas SAFs. Ou pode?Seria o Brasil uma espécie de SAF a meio caminho da recuperação judicial, e cujos dirigentes parecem atrás de seus próprios ganhos?De todo modo, é estranhamente convergente ver os comentaristas esportivos falando em fairplay e sustentabilidade financeira, e os especialistas em política fiscal achando que o governo anda comprando jogadores (programas e projetos) meia-bomba, meio caros, meio ineficazes, meio estelionato, tal como sugeridos por marqueteiros, pensando em glórias que não têm nada de eternas.













