O Bolsa Família voltou ao noticiário depois de declarações de Luciano Huck em um fórum empresarial. A reação à fala, mais do que a fala em si, saiu do tom e impediu discussão mais séria. Esse é o desfecho esperado em ano eleitoral e também o menos proveitoso.
O Bolsa Família é uma das políticas sociais mais importantes do país e funciona bastante bem em seu objetivo central, que é proteger a renda das famílias mais pobres. O programa merece ser examinado com seriedade, sobretudo quanto às oportunidades de seu aperfeiçoamento.
A crítica mais comum, e uma das mais infundadas, é a de que o benefício afastaria as pessoas do trabalho. Os dados não a sustentam. Comparados beneficiários e não beneficiários semelhantes em idade, escolaridade, gênero, região e arranjo familiar, a diferença na chance de trabalhar ou procurar emprego praticamente desaparece. O que parece desestímulo é efeito de composição, já que o beneficiário tende a ser mais pobre e menos escolarizado. O problema real está em outro lugar, na informalidade.
Em trabalho recente com equipe de pesquisadores do Insper, mostramos que a diferença de informalidade entre beneficiários e não beneficiários, controladas as características observáveis, subiu de 7 pontos percentuais em 2006 para 19 em 2023. Mais importante que o nível é o sentido da relação. A informalidade quase não altera a chance de uma família entrar no programa, mas eleva em quase 18 pontos a de permanecer nele. Além disso, ao longo dos anos, tem-se observado que beneficiários do programa têm apresentado uma elevação paulatina na chance de entrar na informalidade.














