Fazer rolo com o Fundo Partidário ficou baratinho. O dinheiro desse fundo serve para bancar o funcionamento dos partidos. Neste ano, vai custar ao público cerca de R$ 1,4 bilhão. Se um partido desse um sumiço ou cometesse irregularidade, digamos, no valor de R$ 1 milhão, fosse pego e condenado, teria de pagar multa de até R$ 200 mil (de até 20%). Agora, a multa máxima é de R$ 30 mil, com 180 meses (15 anos) para pagar, se é que alguém vai ser condenado e pagar. Note-se de passagem que, além desse fundo, os partidos terão neste ano quase R$ 5 bilhões para a campanha eleitoral.
A multa virou custo menor do negócio político, pois. A hipocrisia um dia foi a homenagem que o vício prestava à virtude. A multa da nova lei é a gorjeta que o bandalho paga à roubança. Se sumirem com algo além de R$ 300 mil, é menos do que gorjeta, 10%. Acabou a hipocrisia, está tudo dominado pelo descaramento. Descaramento ao quadrado, o partido punido pode pagar a agora improvável multa com dinheiro do próprio fundo partidário.
Esse é um dos resultados da chamada "minirreforma eleitoral" que a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (19), rapidinho, na caluda (sic) da noite —tem muito mais. Apenas Psol-Rede, Novo e Missão se opuseram ao incentivo à bandalheira. Para sua suprema vergonha, se ainda restou vergonha na cara de alguém, o PT votou a favor desse despautério. Votou com o centrão, com o direitão e com a extrema direita, com bolsonaristas. O Partido dos Trabalhadores, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, partido que saracoteia indignações a cada acréscimo de baixaria à longa ficha corrida de Flávio Bolsonaro.











