Testes genéticos para nutrição e fitness funcionam mesmo?Médico explica limitações dos exames vendidos diretos ao consumidor e faz alerta: alguns deles não têm nenhuma utilidade clínica. Crédito: edição: Joaquim MacruzGerando resumoO aumento da longevidade da população e a preocupação crescente com a saúde estão fazendo a Nestlé, maior indústria de alimentos do mundo, voltar às origens. E o Brasil está no centro dessa mudança.PUBLICIDADEFundada em 1867 na cidade suíça de Vevey pelo farmacêutico alemão Henri Nestlé, que criou a farinha láctea para bebês desnutridos, a multinacional está focando em produtos voltados para nutrição e saúde.Ao lado de petcare, food & snack e cafés, nutrição e saúde passaram a ser um dos quatro pilares de negócios da corporação, após o processo de reestruturação e simplificação da companhia implantado pelo novo CEO global, Philipp Navratil. Ele está no cargo desde setembro de 2025.É exatamente nesse contexto de reestruturação que a brasileira Serena Aboutboul, há 36 anos na empresa, assumiu, de Vevey, na Suíça, o comando global da área de nutrição e saúde. É um negócio que movimenta cerca de US$ 20 bilhões por ano e que responde por 20% do faturamento da multinacional.PublicidadeA brasileira Serena Aboutboul, vice -presidente e líder global de Nutrição e Saúde da Nestlé, comanda um negócio de US$ 20 bilhões por ano Foto: Felipe Rau/EstadãoEntre 2025 e 2028, a companhia está investindo R$ 2 bilhões na área de nutrição e saúde no Brasil, cerca de 30% do total aportado pela empresa no País.“O Brasil é um mercado-chave para a Nestlé e, em nutrição e saúde, há grandes áreas a serem ocupadas e exploradas”, afirmou ao Estadão Serena Aboutboul, de passagem por São Paulo no início de abril. O Brasil é o terceiro maior mercado da companhia no mundo, depois dos Estados Unidos e da China. Ela observa que EUA e China são mercados muito grandes, mas, na América Latina, o Brasil tem grande potencial.O País, por exemplo, foi escolhido pela empresa para ser o primeiro a produzir uma linha de suplementos nutricionais. O produto, que acaba de chegar ao varejo, leva proteínas, vitaminas e minerais e é voltado para a população com mais de 40 anos de idade. “Nestlé Vital é um produto para longevidade saudável”, diz a executiva.PublicidadeOs brasileiros estão envelhecendo rápido, observa Serena, e a consciência de se preparar para essa fase tem ganhado relevância, sobretudo nas mídias sociais.Outro fator que fez o Brasil conquistar a primazia da fabricação do produto voltado para a longevidade é a grande diversidade populacional. Isso contribui para que a fórmula do suplemento seja mais abrangente e atenda a um espectro maior de consumidores com biotipos diferentes.Foram investidos mais de US$ 50 milhões (40 milhões de francos suíços) no projeto, que envolveu desde o desenvolvimento do produto, estudos clínicos, pesquisa científica e até adaptação da fábrica de Araçatuba, no interior do Estado de São Paulo, uma de mais de 30 plantas espalhadas pelo País. “Araçatuba recebeu Vital porque é uma fábrica de alta tecnologia, que tem volume e capacidade de produção.” Inicialmente, essa unidade, onde já são fabricadas fórmulas infantis e outros suplementos, será a base de exportação do produto para a Europa, México e outros países da América Latina. A médio prazo, o plano da companhia é produzir esse suplemento também em outros países.PublicidadeLeia tambémNestlé compra a empresa Puravida, de suplementos e vitaminasCanetas emagrecedoras mudam consumo, reduzem gastos e pressionam indústria e supermercadosPUBLICIDADEApesar do potencial do mercado brasileiro para produtos voltados à longevidade saudável, há um grande desafio para a indústria: o baixo poder aquisitivo da população. A embalagem de 360 gramas do novo suplemento, por exemplo, não sai por menos de R$ 80 no varejo. É um preço inacessível para a população de menor renda.De acordo com a executiva, hoje existe uma polarização do consumo não só no Brasil, como em outros países. Isto é, ocorre um crescimento acelerado na venda de produtos premium e também de produtos populares em relação aos itens de preço médio. O desafio, argumenta, é desenvolver produtos com custos e preços acessíveis.Nesse sentido, já estão no radar da companhia novas formulações do produto, o uso de insumos locais e o aumento da escala de produção “Esses três componentes ajudam a ter um custo mais baixo.”Canetas emagrecedorasOutra investida que a multinacional suíça planeja para a área de nutrição e saúde no País será trazer para o mercado brasileiro shakes com aporte adequado de nutrientes para os usuários de canetas emagrecedoras.PublicidadeEsse produto na forma de refeições congeladas já existe nos supermercados dos Estados Unidos desde 2024, com a marca Vital Pursuit. A companhia estuda ter essa linha disponível no varejo no ano que vem e com fabricação local.“A área de produtos voltados para controle da obesidade vai crescer muito com a redução do preço e a popularização das canetas emagrecedoras que, mais para frente, terão inovação, indo para uma medicação oral, que será menos custosa”, diz Serena.A expectativa é que a área de nutrição e saúde, que absorve a maior fatia dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento na casa de US$ 2,2 bilhões (1,7 bilhão de francos suíços) por ano no mundo, cresça acima da média da empresa como um todo, prevê a executiva.Ela baseia essa previsão no fato de que as vendas de produtos ligados à nutrição adulta, como vitaminas e suplementos, itens voltados à longevidade e ao controle de peso, têm avançado a taxas de dois dígitos.PublicidadeNesse grupo de nutrição adulta, há também produtos para a saúde da mulher que, no caso do Brasil, o mercado ainda é pouco explorado.A Nestlé sempre manteve a área de nutrição relativamente forte, por causa das fórmulas infantis. Mas começou a acelerar a área com a compra da divisão de nutrição clínica da farmacêutica Novartis. Com esse negócio, a companhia se tornou uma gigante no segmento de dieta enteral, a Nestlé Health Science (NHS). Mais recentemente a empresa adquiriu a Puravida, foodtech especializada em suplementos. Recall de fórmulas infantisNo final do ano passado, a Nestlé se viu em meio ao maior recall de fórmulas infantis feito pela companhia. O motivo foi a contaminação provocada por uma toxina em um ingrediente muito usado no preparo do produto. O problema foi detectado em uma fábrica da Holanda e atingiu vários países.Segundo Serena, a companhia descobriu a existência da toxina em um ingrediente de um fornecedor que abastece toda a indústria do setor. “Fomos os primeiros a descobrir por causa dos testes que fazemos, a alertar e fazer o recall imediatamente.”PublicidadeOs produtos contaminados foram retirados do mercado e repostos. Sem revelar números, a executiva diz que houve queda nas vendas por causa da retirada dos itens.No entanto, o fato de a empresa estar há mais de 100 anos no País no setor de fórmulas infantis, existe uma relação de confiança com os pediatras, com os profissionais de saúde que ajudaram a tranquilizar as mães, argumenta. “Acho que essa relação de confiança não se constrói em momento de crise; confiança a gente constrói antes.”De acordo com a executiva, a companhia tem um sistema de qualidade muito robusto. Isto é, são feitos mais de 12 testes nas fórmulas infantis em todas as fábricas, além da auditoria dos fornecedores. Depois desse episódio, foi reforçada a auditoria nas cadeias de produção fora das fábricas da empresa.
Preocupação da população com longevidade e saúde faz Nestlé voltar às origens
Brasileira Serena Aboutboul assume a área de nutrição e saúde da multinacional no mundo; Brasil é mercado-chave, mas desafio é ter produtos com preços acessíveis












