A Nestlé e a Danone estão enfrentando novas críticas sobre o manejo da contaminação de fórmulas infantis, após reportagens publicadas nesta terça-feira (19) por veículos da mídia pública francesa, belga e suíça questionarem a velocidade dos recalls de produtos potencialmente nocivos. A investigação da Radio France, RTBF e RTS apontou que a Nestlé atrasou o alerta às autoridades europeias sobre a presença de cereulida, uma toxina que pode causar vômitos e diarreia e representa riscos específicos para bebês. A toxina foi detectada em um ingrediente fornecido pela chinesa Cabio Biotech e usado por vários fabricantes de fórmulas infantis, incluindo Nestlé, Danone e Lactalis. A contaminação provocou recalls de fórmulas em vários países e alimentou preocupações entre os pais. A Nestlé, que não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, foi citada dizendo que seguiu um processo rigoroso envolvendo avaliação, verificações de rastreabilidade e identificação dos produtos afetados antes de iniciar os recalls públicos. A Danone também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A Nestlé havia dito anteriormente que detectou pela primeira vez baixos níveis de cereulida em amostras de produtos no final de novembro, mas parou de usar todas as misturas contendo o óleo de ácido araquidônico do fornecedor após a confirmação da contaminação em 24 de dezembro. A empresa notificou o fornecedor em 29 de dezembro e analisou amostras até 3 de janeiro para determinar a dimensão do problema, antes de lançar recalls públicos a partir de 5 de janeiro. A Radio France afirmou que 838 mil latas de fórmula infantil foram retidas a partir de 26 de dezembro na fábrica da Nestlé no norte da França e em outros locais de produção. A reportagem apontou que os produtos já no mercado permaneceram nos canais de distribuição ou nas casas dos consumidores sem um recall oficial ou notificação imediata às autoridades europeias, apesar das regras que exigem comunicação rápida quando um risco à saúde é identificado. Os veículos de comunicação também afirmaram que a Nestlé realizou retiradas “silenciosas” na Áustria e na Alemanha a partir de 24 de dezembro, enquanto os produtos da Danone foram retirados de circulação em janeiro, antes que os recalls públicos fossem emitidos. Promotores nas cidades francesas de Bordeaux e Angers descartaram uma ligação entre mortes de bebês e os produtos de fórmula recolhidos. Outra investigação aberta em Meaux foi transferida para Paris, informou a Radio France.
Nestlé e Danone enfrentam críticas por atraso em recall de fórmulas infantis contaminadas
Reportagens publicadas por veículos da mídia pública francesa, belga e suíça questionaram a velocidade dos recalls de produtos potencialmente nocivos











