O Japão aumentará em US$ 19 bilhões suas reservas para subsidiar custos de combustíveis e ajudar a enfrentar as pressões do custo de vida, afirmou nesta segunda-feira (25) a primeira-ministra do país, Sanae Takaichi. Ao mesmo tempo, a premiê buscou acalmar preocupações do mercado de títulos ao prometer que não haverá aumento geral do endividamento. O orçamento suplementar, inicialmente reportado neste mês, marca uma reversão em relação às declarações anteriores de Takaichi descartando a necessidade de gastos extras. A medida também ocorre, por outro lado, enquanto a disparada dos preços da energia, ocasionada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã — junto ao aumento dos custos de importação provocado pelo iene fraco —, ameaça seu persistente alto nível de apoio entre os eleitores. O orçamento adicional de cerca de 3 trilhões de ienes (US$ 19 bilhões) vem após o governo decidir utilizar aproximadamente metade de suas reservas contingenciais de 1 trilhão de ienes para financiar subsídios destinados a conter contas de serviços públicos, aumentando a necessidade de recompor essas reservas diante do risco de uma crise prolongada no Oriente Médio. Subsídios à gasolina já estão consumindo as reservas O Japão também vem prorrogando subsídios separados para manter estáveis os preços da gasolina, uma medida cara que está rapidamente consumindo suas reservas contingenciais enquanto os preços do petróleo permanecem elevados. Takaichi disse a jornalistas que os gastos extras serão financiados por títulos para cobertura de déficit, mas acrescentou acreditar que a medida poderá ser implementada “sem afetar o mercado de títulos do governo”. O volume total de emissão de títulos permanecerá inalterado em relação ao plano original, afirmou ela, já que receitas tributárias mais fortes, receitas não tributárias e gastos abaixo do previsto provavelmente eliminarão a necessidade de cerca de 3 trilhões de ienes em títulos de déficit que estavam programados para serem emitidos até junho. “Enquanto monitoramos de perto os movimentos diários do mercado e os indicadores econômicos, o governo reduzirá de forma constante a relação dívida/Produto Interno Buto (PIB) para garantir sustentabilidade fiscal e manter a confiança do mercado”, declarou Takaichi. Rendimentos dos títulos e riscos ao cenário fiscal Uma reportagem da Reuters indicando que o governo provavelmente emitiria nova dívida como parte do financiamento do orçamento extra ajudou a impulsionar o rendimento do título público japonês de referência de 10 anos (JGB) para 2,8% na semana passada, o maior nível desde outubro de 1996. Embora analistas afirmem que manter estável a emissão planejada de títulos sinaliza que o governo Takaichi está levando em conta as preocupações do mercado sobre a situação fiscal do Japão, os riscos para o cenário fiscal vão além do orçamento suplementar. O governo considera cortar o imposto sobre consumo de alimentos, medida que poderia reduzir a arrecadação em até 5 trilhões de ienes, enquanto o aumento dos rendimentos dos JGBs ameaça elevar os custos do serviço da dívida acima do esperado. No orçamento geral de 122,3 trilhões de ienes para o ano fiscal de 2026, os custos do serviço da dívida — incluindo pagamento de juros e amortização — saltaram 10,8%, para 31,3 trilhões de ienes, com base numa taxa de juros presumida de 3%, o maior nível em 29 anos. Qualquer aumento sustentado das taxas de juros de longo prazo acima desse nível obrigaria o governo a garantir financiamento adicional, ampliando a pressão sobre sua já pesada carga de dívida.
Premiê do Japão anuncia orçamento extra de US$ 19 bilhões
Sanae Takaichi buscou ao mesmo tempo acalmar preocupações do mercado de títulos ao prometer que não haverá aumento geral do endividamento













