O Banco do Japão (BoJ, o banco central) está prestes a aumentar as taxas de juros na próxima semana. Um dos principais motivos para isso é a aparente disposição da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em aguardar e observar os acontecimentos. Após o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, ter insinuado um aumento da taxa em um discurso em 3 de junho, Takaichi teria dito que as ações específicas de política monetária "deveriam ser deixadas a cargo do Banco do Japão, independentemente de um orçamento suplementar estar sendo preparado ou não". Com base nesses comentários, agentes do mercado financeiro consideram que uma alta da taxa de juros na reunião de política monetária do Banco do Japão, nos dias 15 e 16 de junho, como praticamente "um fato consumado", afirmou a consultoria de política econômica americana Observatory Group. Na última quinta-feira, a probabilidade de uma elevação da taxa em junho ultrapassava 90%, com base na negociação de swaps de taxas de juros, sendo que o aumento esperado é de 0,25 ponto percentual, segundo a Tankan Research. O “Nikkei Asia” informou na terça-feira que o BoJ está pronto para elevar sua taxa básica de juros dos atuais 0,75% para 1%. O BoJ possui independência em política monetária, conforme a legislação japonesa. No entanto, como a tensão com o governo poderia afetar o sentimento do mercado, é significativo que Takaichi não tenha sinalizado qualquer oposição. A premiê vinha demonstrando relutância em elevar as taxas de juros. Essa postura pode ter mudado sob pressão dos mercados financeiros e de Washington. Em maio, os mercados começaram a emitir sinais de alerta sobre a pressão fiscal e o risco de o BoJ estar ficando para trás em relação à inflação. Os títulos do governo japonês sofreram pressão vendedora. Os rendimentos dos títulos de referência de 10 anos atingiram 2,8% em maio – o maior patamar em mais de 29 anos. As ações também sofreram uma queda devido às preocupações com o aumento das taxas de juros. A venda de títulos do Japão também se tornou um tema recorrente no mercado cambial. O iene, que havia se valorizado de cerca de 160 por dólar para cerca de 155 graças a uma intervenção maciça para sustentar a moeda no final de abril, caiu acentuadamente, apagando esses ganhos. Os Estados Unidos, preocupados com a volatilidade se espalhando para os mercados americanos, também enviaram sinais. "Acho que ele é um excelente banqueiro central e, se lhe derem espaço para fazer o que precisa fazer, tenho certeza de que terão uma ótima política monetária", disse o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, sobre Ueda em uma entrevista à Reuters no mês passado. O comentário foi visto como uma tentativa de Takaichi de aceitar um aumento da taxa de juros do Banco do Japão e também pode ser interpretado como uma indicação de que os Estados Unidos teriam dificuldades em sustentar futuras intervenções no iene sem o aperto da política monetária. A questão agora é se Takaichi manterá sua postura de cautela após junho. Há dúvidas se a alta dos juros para cerca de 1% em junho aliviará as preocupações sobre ficar para trás em relação à curva de juros. Isso pode ser observado na taxa de inflação de equilíbrio de 10 anos, que indica as expectativas de inflação de longo prazo dos participantes do mercado. Ela permanece acima de 2%, o que significa que, mesmo com elevação de juros em junho já precificado em mais de 90%, os investidores continuam preocupados com a possibilidade de o BoJ não atingir sua meta de inflação de 2% de forma estável e sustentável. O problema, então, reside na possibilidade de que os rendimentos dos títulos de longo prazo continuem subindo e o iene continue se desvalorizando. Isso poderia levar Takaichi a questionar a razão de ser do aumento da taxa de juros.