Sede do Banco do Japão (BoJ) — Foto: Bloomberg A inflação ao produtor do Japão acelerou em junho no ritmo mais rápido em mais de três anos, à medida que as empresas repassaram agressivamente os custos crescentes do conflito no Oriente Médio, mostraram dados divulgados nesta sexta-feira (10), reforçando os argumentos para novos aumentos nas taxas de juros. Os dados surgiram na sequência de um relatório do Banco do Japão (BoJ), divulgado na quinta-feira (9), que alertava para o fato de que a transmissão dos custos de produção estava ocorrendo em um ritmo mais acelerado do que no passado e poderia levar a uma maior inflação ao consumidor ainda este ano. O índice de preços ao produtor subiu 7,1% em junho em comparação com o ano anterior, segundo dados do Banco do Japão, superando a previsão mediana do mercado de um aumento de 6,8% e marcando a maior alta anual desde março de 2023. O aumento foi ainda maior do que a alta revisada de 6,6% em maio. "A inflação no atacado permanecerá elevada, visto que as negociações entre os EUA e o Irã estão em impasse. O impacto das restrições de oferta e dos aumentos anteriores nos custos de energia também se estenderá aos preços de diversos bens", afirmou Masato Koike, economista sênior do Sompo Institute Plus. "Se os preços de vários produtos subirem acentuadamente, o Banco do Japão poderá ser forçado a aumentar as taxas de juros antecipadamente, inclusive em outubro", disse ele. O aumento acentuado nos preços ao produtor foi impulsionado por uma alta de 22,8% nos preços dos combustíveis e um salto de 39,2% nos preços dos metais não ferrosos, segundo os dados, destacando o impacto do choque energético provocado pela guerra e a forte demanda por matérias-primas relacionadas à inteligência artificial. A persistente desvalorização do iene também continuou a pressionar o custo das importações de matérias-primas. O índice de preços de importação em ienes subiu 29,7% em junho em comparação com o ano anterior, acelerando em relação ao ganho revisado de 26,1% em maio. Os dados estarão entre os fatores que o Banco do Japão analisará em sua próxima reunião de política monetária de dois dias, que termina em 31 de julho. Após ter aumentado as taxas de juros em junho, o conselho deve mantê-las estáveis, mas divulgar novas previsões trimestrais de crescimento e preços que podem oferecer pistas sobre o momento do próximo aumento. O conflito no Oriente Médio complicou a trajetória da política monetária do Banco do Japão, alimentando a inflação por meio de preços mais altos do petróleo e, ao mesmo tempo, pressionando uma economia dependente de combustíveis importados. Ao elevar sua taxa básica de juros para o maior patamar em 31 anos, de 1%, no mês passado, o Banco do Japão alertou para a crescente pressão inflacionária decorrente da guerra com o Irã, apontando para o aumento constante da inflação no atacado. A comunicação do Banco do Japão, no entanto, pode ser complicada pelo aumento mais modesto dos preços ao consumidor. A inflação subjacente ao consumidor permaneceu abaixo da meta de 2% do Banco do Japão pelo quarto mês consecutivo em maio, em parte porque os subsídios governamentais destinados a proteger as famílias do aumento dos custos dos combustíveis continuaram a atenuar as pressões inflacionárias. "Embora os aumentos anteriores nos preços do petróleo estejam elevando os preços no atacado, os preços ao consumidor estão subindo apenas moderadamente devido às medidas do governo", disse o ministro da Economia, Minoru Kiuchi, considerado um defensor da política monetária expansionista, em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (10). Ele também afirmou que o aumento da inflação devido à desvalorização do iene ocorre com atraso e "não é necessariamente tão grande".