Como o Congresso funcionará, na prática, por pouco mais de um mês apenas, tudo indica que alguns assuntos fundamentais para a economia brasileira só serão examinados em 2027. O calendário eleitoral vai adiar por quase um ano o debate de matérias importantes para melhorar a máquina pública, contribuir para o crescimento e dinamizar a economia brasileira.PUBLICIDADEVou tratar de dois temas especificamente. Começo pelo mais recente na memória, a discussão da PEC que estabelece a autonomia financeira do Banco Central. Na semana passada, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, teve um duro embate na Comissão de Assuntos Econômicos ao defender a necessidade de aprovação da PEC. Um pedido de vista jogou o assunto para o futuro e o noticiário indica que a bancada do governo pretende rejeitar a matéria. É um erro. Como já escrevi aqui, a autonomia financeira é o complemento essencial para a independência do BC, formalizada em lei em 2021. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, teve um duro embate na Comissão de Assuntos Econômicos (presidida pelo senador Renan Calheiros) ao defender a necessidade de aprovação de PEC Foto: Wilton Junior/EstadãoAutoridades monetárias das economias mais avançadas são independentes e com autonomia financeira. Ter um orçamento próprio e poder alocar recursos para os assuntos mais relevantes é essencial para que o BC seja mais eficiente no cumprimento de sua missão. Também está à espera do Congresso a reforma administrativa, a última das reformas do Estado que o País precisa fazer. A PEC, cujo relator é o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) limita salários, cria critérios para reajustes e estabelece parâmetros para a progressão nas carreiras, entre outras mudanças. O texto pode e deve ser aprimorado, mas é preciso que ande.PublicidadeNo ano passado, o governo federal gastou R$ 408 bilhões, com funcionários públicos — estão incluídos nesse valor encargos, sentenças judiciais e precatórios. A despesa foi 4,3% maior que em 2024. Todos os anos, o governo negocia índices menores e busca recursos no Orçamento para bancar reajustes de servidores. Em vez de manter essa prática, é preciso fazer uma mudança estrutural. A reforma não é uma solução apenas para reduzir o gasto público, mas também para tornar a máquina pública mais justa e mais eficiente. Temos o exemplo de reformas anteriores, como a da Previdência, a tributária e a trabalhista, que melhoraram as contas públicas e a economia em geral. Reformas são difíceis, mas compensam.Desnecessário mencionar que, além desses temas, em 2027 teremos de nos confrontar com as consequências das decisões deste ano, que estão contribuindo para a expansão do gasto público e para aumentar as dificuldades do Banco Central em conter a inflação no horizonte próximo
Opinião | Empurradas para 2027: País aguarda a aprovação da PEC do Banco Central e a reforma administrativa
No próximo ano, também teremos de nos confrontar com as consequências das decisões deste, que expandem o gasto público e aumentam as dificuldades do BC em conter a inflação












