O mercado de trabalho brasileiro segue aquecido em 2026 e, junto com o aumento das contratações, cresce também o desafio da retenção de talentos, importante para empresas de todos os portes. O avanço no volume de vagas e a maior movimentação dos profissionais têm tornado o cenário mais competitivo, especialmente para micro e pequenas empresas, que precisam de mais atenção para manter equipes estáveis. Dados da Catho, plataforma de empregos pioneira no país, mostram que apenas no primeiro trimestre deste ano foram abertas 290 mil novas vagas na plataforma, crescimento de 27% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 229 mil oportunidades. Ao mesmo tempo, mais de 1,4 milhão de novos currículos foram cadastrados na plataforma nos três primeiros meses do ano, indicando um aumento relevante na movimentação dos profissionais no mercado. Esse cenário cria um ambiente mais dinâmico e competitivo. Com mais oportunidades disponíveis, muitos profissionais se sentem mais seguros para buscar propostas mais alinhadas às expectativas de salário, desenvolvimento profissional, flexibilidade e qualidade de vida. Outro fator que impulsiona esse movimento é a mudança de carreira. Segundo a Pesquisa de Tendências da Catho em 2026, mais de 40% dos profissionais afirmam considerar migrar de área ou buscar novos caminhos profissionais, o que amplia a rotatividade em diferentes setores da economia. Para micro e pequenas empresas, o impacto costuma ser ainda maior. Com estruturas mais enxutas e menor margem para absorver desligamentos frequentes, a perda de profissionais gera custos adicionais, retrabalho e impacto direto na produtividade das equipes. "Na prática, boa parte dessa rotatividade está ligada a um problema simples, mas comum: o desalinhamento de expectativas. Vagas com descrições pouco claras, diferenças entre o que foi combinado e a rotina real do trabalho, ou até falta de transparência sobre salário e benefícios acabam acelerando pedidos de desligamento", explica Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho. Segundo a diretora, pequenas empresas podem adotar medidas acessíveis para reduzir a rotatividade, como descrever vagas de forma mais objetiva e realista, alinhar expectativas ainda no processo seletivo e acompanhar de perto os primeiros meses do colaborador, período em que costuma ocorrer a maior parte dos desligamentos. Apenas em janeiro de 2025, 37,9% das saídas registradas no país foram voluntárias, segundo levantamento da LCA 4intelligence com base em dados do Caged. Com isso, mais uma estratégia importante é manter uma escuta ativa com as equipes, identificando rapidamente sinais de insatisfação antes que eles se transformem em pedidos de desligamento. "Em um mercado mais aquecido, a retenção passa por diversos fatores Clareza, coerência entre discurso e prática, perspectiva de crescimento e experiência no dia a dia passaram a ter peso importante para os profissionais. Empresas que conseguem construir esse alinhamento tendem a manter talentos por mais tempo, mesmo em cenários mais competitivos", conclui Suzuki.
Mercado aquecido desafia retenção de talentos nas pequenas empresas
Aumento de vagas e busca por mudança de carreira pressionam retenção e expõem desalinhamento entre expectativas de empresas e profissionais















