Actualmente, não se pode dizer que haja um défice de informação sobre biodiversidade: há imediatismo nas notícias sobre a descoberta de novas espécies, ou nos desastres ambientais colocando em perigo as espécies. Há inúmeras ferramentas digitais que vai aumentando a curiosidade dos mais novos, mais versáteis utilizadores, o que promove o conhecimento das diferentes espécies ao nosso redor.Sem biodiversidade, os ecossistemas ficam mais frágeis e a nossa sociedade fica mais exposta a perdas económicas, a falta de recursos e problemas de saúde. A biodiversidade é essencial porque mantém o equilíbrio dos ecossistemas e permite que a natureza funcione de forma estável. Graças a ela, temos água limpa, solos férteis, polinização das plantas e regulação do clima. Também é importante para a economia, a agricultura e a saúde humana, porque muitos alimentos e medicamentos dependem dos seres vivos. Quando a biodiversidade diminui, os ecossistemas ficam mais frágeis e aumentam os riscos ambientais e económicos. Por isso, proteger a biodiversidade é proteger a vida e o futuro das pessoas.Nos diferentes resultados elaborados pelo Observatório do Ambiente, Território e Sociedade, liderados por Luísa Schmidt, verifica-se uma maior sensibilização da população aos problemas ambientais, particularmente ligados às alterações climáticas. Sobre a importância da diversidade ecológica, os jovens dos vários ciclos de estudo básico, que a Sociedade Portuguesa de Ecologia (Speco) tem seguido ao longo dos últimos quatro anos, querem sempre perceber melhor o seu valor.Isto significa que há uma falha de entendimento sobre a verdadeira importância da manutenção da biodiversidade, tanto nos jovens como na população em geral. Deve-se, provavelmente, ao facto dos seus benefícios serem invisíveis no dia-a-dia, para além de serem espalhados por muitos sectores, como a água, os alimentos, o clima e a saúde. Por outro lado, a perda de biodiversidade acontece de forma gradual, os custos são adiados e parecem abstractos, o que reduz a percepção de urgência.Um dos casos emblemáticos são as pragas agrícolas, particularmente em explorações extensivas com muito baixa variabilidade genética, onde a produção é dramaticamente afectada, como se houvesse um incêndio, até se intitulando de fogo bacteriano. Estas situações, intituladas calamidades agrícolas como se tivessem sido decorrentes de acidentes climáticos, surgem pela forte dependência de adições de fertilizantes e pesticidas aplicados, cada vez mais, de forma criteriosa e regulada, em populações idênticas.Nestas condições, o solo é quase um substrato: perde matéria orgânica e estrutura, capacidade de reter água, o que torna as explorações mais sensíveis a secas ou a doenças que surjam. Os principais riscos económicos da degradação dos solos em Portugal passam por menor produção agrícola, maiores custos de água, perda de carbono no solo e maior vulnerabilidade à desertificação a pragas e doenças. Em Portugal, 52% do território está em risco de desertificação.Para além dos solos que urgem ser restaurados, devia-se promover e reforçar a diversidade dos sistemas agrícolas para atenuar os efeitos das alterações climáticas e susceptibilidade a doenças. A exploração e conservação da variabilidade das culturas locais devia ser optimizada. Para isso, é necessário compreender as suas origens, domesticação, características fundamentais e utilizações. Quer isto dizer que é necessário aumentar o conhecimento dos processos evolutivos para a valorização do potencial das culturas locais, através da integração da genómica, da arqueologia, da etnobotânica e do conhecimento ecológico tradicional.Outro caso emblemático é o dos polinizadores que os jovens e a população em geral associam, única e exclusivamente, às abelhas. Não foi por acaso que foi bastante mediática a distribuição de abelhas para as colmeias afectadas pelas tempestades deste inverno. Esquece-se, porém, que as abelhas são apenas um grupo de polinizadores. Borboletas diurnas e nocturnas, vespídeos e moscas, só para falar em insectos, precisam de ser monitorizados, estudados sobre o seu estatuto de vulnerabilidade, para além do conhecimento sobre as suas especificidades na interacção planta/insecto. Coexistirão na mesma altura, como era anteriormente, ou há desfasamento entre a floração e o aumento das populações de polinizadores?Num mundo em que tudo se mede pelo produto interno bruto (PIB) dum país, quanto custa a perda da biodiversidade? A resposta curta é: depende do serviço da natureza que está a ser perdido. Em Portugal, há uma estimativa forte para a polinização (a falha poderia reduzir o PIB em cerca de 0,4%), mas o custo real total da perda de biodiversidade é mais difícil de resumir num único número porque inclui agricultura, água, solos, controlo de pragas, turismo, saúde e protecção contra riscos climáticos.Actualmente, a Comissão Europeia defende a protecção forte da biodiversidade, com metas vinculativas e restauro dos ecossistemas, como resposta central à perda de biodiversidade. Em termos europeus, os custos da não-aplicação da legislação ambiental, incluindo a degradação da natureza, são estimados em 180 mil milhões de euros por ano. Estima-se que Portugal necessita investir mais 1,6 mil milhões de euros por ano para atingir os objectivos ambientais estipulados pela Europa, com grande parte desse reforço ligado à biodiversidade e aos ecossistemas.O Governo português parece estar empenhado em levar por diante todas as indicações europeias, o que apraz registar. No entanto, é fundamental que compreenda também que sem investimento em conhecimento de base as medidas planeadas serão avulsas e sem significado a longo prazo. Por isso, é cada vez mais necessário insistir na educação dos jovens para lhes transmitir — como geração futura — a importância de respeitar a natureza e proteger a biodiversidade.Nunca é demais falar nestes problemas e procurar lembrar que em plena alteração climática teremos de saber conservar, em terra e no mar, os ecossistemas e a biodiversidade que encerram, para podermos experimentar o futuro.
Porquê continuar a falar em biodiversidade?
Num mundo em que tudo se mede pelo PIB dum país, quanto custa a perda da biodiversidade? A resposta curta é: depende do serviço da natureza que está a ser perdido.















