Aliados avaliam que lançar o longa às vésperas da eleição pode reavivar debate sobre financiamento Flávio com o pai antes de decisão do STF que determinou que o ex-presidente cumpra pena em prisão domiciliar — Foto: EVARISTO SA - AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 16:59 Campanha de Flávio Bolsonaro pode antecipar filme "Dark Horse" para julho O novo núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro considera antecipar o lançamento do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, de setembro para julho, para evitar associação com a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A mudança visa mitigar riscos políticos e comerciais, especialmente após ações do TSE e um precedente em 2022. A reformulação da equipe de comunicação e preocupações com danos à imagem marcam a discussão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O novo núcleo de comunicação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a defender reservadamente a antecipação do lançamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, após o projeto se transformar no principal foco da crise envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Originalmente previsto para estrear em setembro, às vésperas da eleição presidencial, o longa passou a ser visto dentro da campanha como um potencial passivo político caso continue associado ao noticiário sobre o Banco Master durante o período mais intenso da disputa. Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, auxiliares do senador discutem antecipar o lançamento para julho. O filme está atualmente em fase de pós-produção e integrantes da equipe avaliam que, em termos técnicos, o projeto precisaria de pelo menos mais um mês para ficar pronto para estreia comercial. A avaliação de integrantes da campanha é que a estreia próxima ao pleito poderia trazer novamente ao centro da disputa o debate sobre os repasses ligados ao filme. Aliados do senador avaliam ainda que o longa dificilmente ampliaria de forma significativa o eleitorado do presidenciável do PL. A discussão ganhou força também após o Grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acionarem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar barrar a exibição de “Dark Horse” até as eleições. Na ação, os petistas acusam o filme de funcionar como propaganda eleitoral “antecipada” e “dissimulada”, além de pedirem investigação sobre os repasses ligados a Vorcaro. Integrantes da campanha passaram a citar internamente o precedente de 2022, quando o TSE suspendeu a divulgação do documentário “Quem Mandou Matar Jair Bolsonaro?”, da Brasil Paralelo, às vésperas do segundo turno presidencial. A avaliação de auxiliares do senador é que uma estreia mais cedo poderia reduzir o risco de o filme acabar atingido por decisões judiciais durante o auge da campanha eleitoral. A discussão ganhou força após a reformulação do núcleo de comunicação da pré-campanha, que culminou na saída do publicitário Marcello Lopes e na chegada de Eduardo Fischer para comandar a estratégia de marketing do senador. Embora ainda não tenha assumido oficialmente a função, é esperado que Fischer promova um reposicionamento da campanha após a crise. Nos bastidores, integrantes remanescentes da equipe defendem uma postura mais agressiva de contenção de danos e revisão de temas considerados sensíveis para a imagem de Flávio. Além do impacto político, auxiliares da campanha também passaram a discutir o risco de dificuldades comerciais e reputacionais envolvendo a distribuição do filme após a associação do projeto ao caso Master. A produção de “Dark Horse” entrou no centro da crise após o Intercept Brasil divulgar áudios em que Flávio cobra pagamentos de Vorcaro para bancar despesas do longa. Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos financeiros e menciona dificuldades para honrar compromissos assumidos com integrantes da produção, incluindo o ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro, e o diretor Cyrus Nowrasteh. Nesta semana, Flávio também admitiu a aliados do PL ter visitado Vorcaro pessoalmente em São Paulo logo após a primeira prisão do banqueiro, sob o argumento de tentar “encerrar” a relação envolvendo o filme. A Polícia Federal investiga se recursos enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado ao entorno de Eduardo Bolsonaro, foram utilizados exclusivamente na produção cinematográfica ou também ajudaram a custear despesas da permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.