Organoides são pequenas esferas formadas por células humanas semeadas em placas de cultura. Oriundas de células-tronco com potencial para se multiplicar e formar qualquer tecido, elas podem diferenciar-se em miniórgãos: fígado, músculo cardíaco ou cérebro.

Células-tronco isoladas do cérebro humano tratadas com fatores de crescimento específicos para elas formam estruturas tridimensionais quando colocadas em placas ricas de nutrientes.

Chamadas de organoides, essas estruturas se auto-organizam de tal forma que se prestam a grande variedade de experimentos biológicos. Por exemplo, acompanhar a sequência dos passos moleculares executados durante o desenvolvimento do cérebro humano e de outros animais, desde a vida intrauterina.

O avanço dessa tecnologia tem possibilitado a elucidação de detalhes do funcionamento de várias áreas cerebrais, da influência dos fatores genéticos e dos neurotransmissores envolvidos na emissão dos sinais entre os neurônios. Esses conhecimentos levarão a novos tratamentos e à possibilidade de corrigir defeitos genéticos causadores de condições neurológicas devastadoras.

A revista Nature acaba de publicar um editorial sobre os aspectos éticos criados por essas técnicas. Afinal, um pequeno cérebro crescendo no interior de um frasco desperta a curiosidade e o ­medo­ do desconhecido. Pode ser retratado como uma “força maligna” capaz de interferir com o comportamento humano.