O presidente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Daniel Lima, disse nesta quinta-feira (21) que a liquidação de duas instituições financeiras, a Portocred e a BRK, em 2023, preparou o fundo para pagar os créditos garantidos do Banco Master. Durante participação no 5º Congresso de Regulação e Concorrência no Mercado Financeiro, promovido pela Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos (Abipag), em Brasília, Lima declarou que, naquele ano, foi preciso efetuar o pagamento a 60 mil pessoas em recursos garantidos pelo fundo. Ele não citou as instituições financeiras envolvidas, mas trata-se da financeira BRK e da Portocred. “Acho que a gente teve um grande “wake up call’ (chacoalhão) em 2023, quando a gente teve a liquidação de duas financeiras e, no final do processo, tinha 60 mil pessoas para pagar. A gente imaginava, após ter rodado nossos sistemas e fazendo os testes, que pagar 60 mil pessoas ia ser tranquilo. Não foi”, disse o presidente do FGC. O presidente do fundo declarou que foi necessário redesenhar os sistemas e infraestruturas e enviar dados em nuvem. Sem citar o Banco Master, Lima declarou que o FGC estava preparado para efetuar os pagamentos a milhões de pessoas. “A gente já tinha passado dois ou três anos redesenhando absolutamente tudo. Então tem essa visão operacional de acompanhar o desenvolvimento da própria indústria”, declarou. Lima destacou que já foram 45 eventos de liquidação em 30 anos. Segundo ele, o FGC é o único garantidor de depósito que faz as transferências por aplicativo. O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, com administração independente, ressaltou Lima. Ele afirmou que, além de pagar garantias, o fundo tem papel de avaliar uma operação de assistência a uma das instituições financeiras associadas, sob determinadas condições. Segundo ele, o FGC analisa de acordo com o modelo de negócio se for viável e se a atuação permitirá uma economia ao fundo. Lima defendeu que a recuperação de empresas é um tema complexo no país. Ele disse que mudanças são fundamentais para um mercado dinâmico e que a discussão sobre ajustes no modelo do FGC será “sempre viva”. “Ela precisa ser viva para se adaptar na mesma velocidade que a indústria”, declarou. Ele negou que tais adaptações tenham efeito anticoncorrenciais. “Eu discordo fortemente desta percepção”, disse. “Isso precisa ser gerido ao longo do tempo, porque, para mim, é difícil conceber um mercado eficiente, competitivo, sem estabilidade no sistema, sem que o próprio sistema não quebre de tempos em tempos”, acrescentou. Daniel Lima, CEO do FGC — Foto: Divulgação