O fundo SDG II comprou R$ 3,6 bilhões em empréstimos ligados à fraude de Daniel Vorcaro, em uma manobra para limpar o balanço do Master e se desfazer de créditos de má qualidade.

A venda desses créditos melhorou no papel a situação do Master, que passou a ter mais espaço financeiro para fazer novos empréstimos e também para captar recursos via CDB (Certificados de Depósito Bancário). Isso porque o impacto de um eventual calote saiu das contas do banco e ficou para os cotistas do SDG II. Depois da operação, a tarefa de cobrar os empréstimos também passou a ser do fundo.

Segundo apurações sobre a conduta do Master, o uso dos fundos fechava o ciclo de fraudes que funcionaria da seguinte maneira: 1. o banco captava dinheiro com CDBs; 2. o montante captado era emprestado para empresas de fachada, que aplicavam os valores em fundos; 3. os fundos por sua vez usavam parte do dinheiro para comprar os empréstimos feitos pelo Master para as companhias de fachada.

Esses empréstimos não eram cobrados, beneficiando empresas que não pagavam o que deviam. O calote, em vez de recair sobre as contas do Master — o que apareceria nos controles do BC (Banco Central) —, ficava no fundo, cuja denominação técnica é FIDC (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios).