Silvio Tini: derrota — Foto: Reprodução A holding Bonsucex, veículo de investimentos de Silvio Tini, ajuizou no TJSP uma medida cautelar com base na Lei de Recuperação Judicial para suspender por 60 dias as cobranças do Banco Santander — no valor de R$ 624 milhões — e do Banco ABC Brasil — de R$ 56 milhões. Essas cobranças decorrem de dívidas contraídas pela Buritirama, mineradora da qual a Bonsucex foi acionista até 2018, e que os bancos tentam redirecionar para a Bonsucex por meio de ações judiciais que questionam a separação patrimonial entre as duas empresas. O argumento era de que os bloqueios em suas contas estavam inviabilizando suas atividades e que, sem essa pausa, não haveria condições de sentar à mesa e negociar de forma equilibrada. O juiz de primeira instância negou o pedido. Para ele, esse tipo de proteção judicial existe para empresas que estão genuinamente à beira da falência, sem conseguir pagar suas dívidas com seus próprios recursos. Considerou que a Bonsucex é uma empresa com patrimônio robusto, com participações em grandes companhias brasileiras, e ela mesma admitiu que sua dificuldade não vinha de um problema estrutural no negócio, mas dos bloqueios impostos pelos dois bancos. O juiz entendeu que, para combater bloqueios judiciais que a empresa considera injustos, o caminho correto são os recursos processuais normais — e não um mecanismo criado para proteger empresas em crise de insolvência. Chamou atenção ainda para o fato de que a mediação foi aberta exatamente no mesmo dia em que venceu o prazo para pagar a dívida do Santander, o que sugeriu que o procedimento pode ter sido usado mais como uma manobra para travar as execuções do que como uma tentativa genuína de negociação. A Bonsucex recorreu ao tribunal, pedindo que a suspensão das cobranças fosse concedida enquanto o recurso era analisado. O desembargador também negou, alinhando-se ao raciocínio do juiz. Destacou que esse mecanismo de proteção está intimamente ligado à recuperação judicial, e que usá-lo de forma desvinculada desse contexto vai contra a lei. Questionou inclusive se uma holding que só investe em ações — sem produzir bens ou prestar serviços diretamente — teria direito a esse tipo de proteção, já que não haveria uma "empresa" no sentido tradicional a ser preservada. Por fim, apontou que a própria Bonsucex havia informado que teria dinheiro disponível para pagar dezenas de milhões nas semanas seguintes e que todas as suas outras dívidas estavam sendo pagas normalmente — o que tornava difícil sustentar que ela estivesse em crise real.