Braskem Idesa, subsidiária da brasileira Braskem no México, uma drama com novo capítulo Foto: Divulgação/Braskem Idesa As negociações para se chegar a um acordo que permita levar à Justiça norte-americana um pedido de recuperação judicial da Braskem Idesa, subsidiária da petroquímica no México, esbarram na discussão sobre uma injeção de recursos na companhia, apurou a Broadcast. PUBLICIDADEA empresa contratou assessores financeiros em setembro do ano passado e tem se encaminhado para o Chapter 11, o capitulo da lei norte-americana de falências que dita as regras da recuperação judicial. Mas essa decisão depende de rodadas de negociações que estão em andamento, disseram fontes com conhecimento do assunto.O principal personagem nesta disputa é o empresário mexicano Carlos Slim, que possui - por meio do controle do Grupo Idesa - posição acionária de 25% na Braskem Idesa. Ele também é detentor de uma fatia perto de 60% dos títulos de dívida da companhia (bonds). Por meio do banco Inbursa, Slim abriu uma linha de crédito com limite total disponível de R$ 468 milhões (US$ 85 milhões), dos quais a Braskem Idesa realizou saques que totalizaram R$ 188 milhões (US$ 34 milhões). Essa linha vence no final deste ano. De acordo com fontes, Slim tem se oposto ao plano de detentores de bonds de colocar US$ 250 milhões na companhia, por meio de um empréstimo debtor in possession (DIP) e defendido um aporte da ordem de US$ 500 milhões. Dessa forma, ele teria uma melhor recuperação de seus créditos.Ao mesmo tempo, o aporte causa controvérsia, já que a holding Braskem e a Petrobras, dona de cerca de 36% da Braskem, não querem perder o controle da subsidiária mexicana. Uma das fontes observou que o aporte de US$ 250 milhões não tiraria a companhia mexicana do controle da Braskem PublicidadePetrobrasA presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta semana que sua gestão “não gosta de vender, só gosta de comprar”. A fala da executiva veio após pergunta de jornalistas sobre o que a petroleira poderia fazer em relação à Braskem Idesa, no sentido de evitar um Chapter 11 (similar à recuperação judicial) ou sobre a possibilidade de novos aportes na companhia por parte dos sócios. “Como acionistas relevantes da Braskem, a gente acompanha a situação da Braskem Idesa com reuniões periódicas. Todas as alternativas para não perder a companhia estão na mesa”, afirmou ainda o diretor financeiro, Fernando Melgarejo. Ele pontuou, no entanto, que quem está negociando as questões da Braskem Idesa é a própria Braskem Brasil. As falas receberam a atenção dos detentores de dívida em dólar da Braskem e da Idesa subsidiária.A possibilidade de que a petroleira brasileira se movimente para um eventual aporte na companhia voltou a ser cogitada, embora a Petrobras já tenha afastado a possibilidade de aumentar sua participação na Braskem para uma fatia que lhe obrigue consolidar a dívida da petroquímica brasileira em seu balanço. Um acordo pré-definido de empréstimo DIP é normalmente o caminho trilhado pelas companhias para o Chapter 11. Fontes disseram que não há investidores terceiros dispostos a colocar recursos na companhia. PublicidadeA visão no mercado é a de que a companhia não tem valor, diante de seus problemas de abastecimento de matéria-prima. A Pemex, estatal de petróleo mexicana, não cumpre os contratos de abastecimento e as importações que a Braskem Idesa tem feito como alternativa tem um custo mais elevado. No balanço do primeiro trimestre da Braskem, a companhia lembrou que, desde fevereiro de 2026 encerrou-se o compromisso contratual de fornecimento de etano pela Pemex para subsidiária mexicana de 30.000 barris por dia. A partir de então, foi estabelecido um direito de preferência para a Braskem Idesa de adquirir todo o etano que a Pemex tiver disponível e não consumir em seu próprio processo produtivo até 2045.Procurados, a Braskem e o empresário Carlos Slim não comentaram até o fechamento desta reportagem