A diretora de relações com investidores, planejamento estratégico e inteligência de mercado da Braskem, Rosana Avolio, afirmou, nesta quinta-feira (14), que a gestão do caixa ainda é o grande desafio da companhia no curto prazo. Em teleconferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre, ela disse que a empresa está acompanhando a gestão dos estoques, com prioridade às operações no Brasil. Leia mais:Taxa de utilização de centrais no México cai 30 pontos percentuais no 1º tri, para 55%, diz Braskem Confira os resultados e indicadores da Braskem, Petrobras e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 Com a guerra no Oriente Médio, a Braskem viu uma recuperação na demanda de produtos petroquímicos, o que levou a um aumento dos estoques, com consequente crescimento de uso do caixa. Avolio ressaltou que a empresa vem reduzindo “exposições” com instituições financeiras e fornecedores e está trabalhando para contar com as matérias-primas para capturar “spreads” entre os preços desses insumos e os das resinas e produtos petroquímicos. A executiva destacou que a estratégia desenhada foi a de preservar caixa e liquidez em março para buscar capturar o momento do mercado. “Nós nos preparamos e desenhamos uma estratégia para aproveitar o mercado [favorável] sem prejudicar a liquidez da companhia”, disse. Avolio disse ainda que a empresa espera melhores "spreads" entre preços de matérias-primas e de produtos petroquímicos nos próximos meses, mas destacou que os fundamentos da indústria indicam sobreoferta, com continuidade do aumento de novas ofertas de polipropileno e polietileno. Ao mesmo tempo, há regiões que buscam autossuficiência, o que permite observar a construção de novas capacidades. Guerra no Oriente Médio A executiva ressaltou que o cenário geopolítico segue incerto, que o fechamento do Estreito de Ormuz reduziu a oferta de petróleo em 15 milhões de barris por dia, o que foi inicialmente compensado por exportações via rotas alternativas e aumento de produção em outras regiões. A nafta acompanhou a volatilidade do petróleo e pressionou os custos da indústria petroquímica. Segundo Avolio, consultorias externas apontam uma “trajetória de melhora material” nos três segmentos de negócio da Braskem ao longo do segundo trimestre, devido ao choque de oferta global causado pelo conflito no Oriente Médio. Porém, a visão, no momento, é que a empresa seguirá aumentando estoques e buscando acompanhar a melhoria do cenário, ao mesmo tempo em que busca preservar o caixa e a liquidez, reiterou Avolio. “Estamos confiantes com o segundo trimestre, mas com muita cautela.” Roberto Ramos, presidente da Braskem, disse que, com o conflito no Irã, houve uma mudança radical da indústria global de trocar o uso da nafta para o etano, obtido pelo processamento de gás natural, como matéria-prima para produção de polietileno e polipropileno. Segundo ele, o Catar é um dos principais produtores mundiais de gás, juntamente com o Irã. Porém, o bombardeio, pelo Irã, de instalações de gás do Catar causou danos que afetaram a oferta de etano, elevando os preços do insumo. Esse cenário deve se manter enquanto os danos à infraestrutura de gás não forem completamente reparados, avaliou. Entrada do IG4 Já o diretor financeiro da Braskem, Felipe Jens, ressaltou que “aconteceram marcos muito relevantes na transferência de controle acionário” da petroquímica, com a entrada do IG4, o novo acordo de acionistas firmado com a Petrobras e a nova composição do conselho de administração. Jens disse também que a Braskem vem fazendo esforços para manter o capital de giro, que teve redução nos últimos trimestres, em níveis que permitam manter as atividades operacionais da companhia. Ele destacou que as negociações entre Braskem e credores seguem intactas quanto à entrada do IG4 como novo acionista, e sem impactos sobre os fornecedores “operacionais e estratégicos”.