A Abra, holding da Gol e da Avianca, apontou uma boa demanda por voos apesar do ambiente complexo para o preço do petróleo, que tem feito as passagens subirem de forma acelerada em diversos mercados. A sinalização foi dada pelo CEO da Abra, Adrian Neuhauser, em teleconferência para apresentar os números do primeiro trimestre do grupo. “Temos visto mais sucesso do que o esperado [com a subida de preço]. Vemos muita elasticidade [na demanda]”, disse o executivo a analistas nesta quarta-feira. O executivo destacou que um dos efeitos da crise tem sido um prazo de espera mais longo por parte do consumidor para fechar a compra do bilhete. Atualmente, o prazo médio de compra está na casa de 45 dias, uma queda de 10% contra o que costumava ser em um período comparável em 2025. “Temos menos visibilidade. Não é uma mudança dramática, mas é uma mudança no comportamento dos consumidores. Eles estão lendo jornais e tentando entender se vai ter uma queda do combustível e do preço, por isso, estão segurando a decisão de compra. Mas, no fim, eles estão comprando, mesmo que depois”, disse. Ainda sobre preço, o executivo disse que, em alguns mercados, o cenário tem sido mais favorável aos ajustes, como Brasil e Colômbia. Na contramão, a subida de preço em rotas internacionais na região da América do Sul e na ligação da região com a América do Norte têm sido mais desafiadoras. O executivo destacou ainda que a empresa tem uma boa flexibilidade para reduzir a oferta na medida em que o mercado se desacelere. “Um dos nossos objetos principais aqui é garantir que não estamos oferecendo um excesso de capacidade”, disse. Cortes de até um dígito alto (entre 7 e 9%), disse, seriam simples de fazer sem grandes esforços. Como forma de se proteger da crise, a Abra tem se apoiado fortemente na sua estratégia de hedge. Segundo os executivos da empresa, para além do hedge de 50% do consumo de combustível de março até o fim de maio, com um preço de US$ 2,45/galão, a empresa elevou a cobertura para 60% do consumo para os meses de junho até agosto, com um valor de US$ 4/galão. Já o CEO da Gol, Celso Ferrer, disse que a empresa tem feito semanalmente ajustes finos nas rotas. Ao contrário de concorrentes, a Gol cresceu sua oferta no primeiro trimestre de 2026. O executivo explicou que esse salto chegou por causa da retomada de capacidade da empresa após sua reestruturação. Em março, a aérea conseguiu retomar toda sua frota que estava parada por falta de peças de manutenção e motores. Conforme mostrou o Valor, a disparada do preço do petróleo por causa da guerra no Oriente Médio levou as aéreas no Brasil a traçarem um plano de sobrevivência para os próximos meses. Isso porque o combustível de aviação, que respondia historicamente por cerca de 30% do custo operacional dessas empresas no país, dobrou desde fevereiro. Em 2 de abril, dados do sistema SIROS da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontavam que as aéreas projetavam ofertar 2.193 voos por dia em maio no mercado brasileiro. A mesma consulta feita em 12 de maio, entretanto, aponta oferta prevista por dia de 93 voos a menos (queda de 4,3%). Com menos decolagens, o Brasil perdeu cerca de 14 mil assentos por dia neste mês. Os dados foram compilados no sistema da Anac pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). O Abra Group registrou lucro de US$ 208 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 26,2% na comparação anual. A receita foi de US$ 2,67 bilhões, salto de 16,9%. Abra, dona da Gol — Foto: Jonne Roriz/Bloomberg
Continuamos a ver demanda firme, mesmo com subida de preços, diz CEO da Abra
Em alguns mercados, segundo a empresa, o cenário tem sido mais favorável aos ajustes, como Brasil e Colômbia












