Eleições 2026
O senador Rodrigo Pacheco (PSB) passou meses cultivando o silêncio de quem esperava ser recompensado. Presidiu o Senado durante os anos mais tensos da democracia recente, ajudou a segurar parte da agenda golpista do bolsonarismo e passou o governo Lula (PT) como uma espécie de fiador institucional moderado. Em Brasília, gente próxima ao senador repetia quase como obviedade que a cadeira no Supremo Tribunal Federal viria.
Mas não veio. E Pacheco, desde então, parece um sujeito andando de pijama e meia pela casa após uma briga familiar. Não rompe, não grita, não bate a porta. Apenas fica emburrado. Ora diz que talvez deixe a política. Flerta com a advocacia privada. Observa com carinho uma possível vaga no Tribunal de Contas da União. E vai cozinhando o galo e deixando Lula sem candidato em Minas Gerais.
A história da política brasileira é movida tanto por traições épicas quanto por pirraça. Pacheco não precisou declarar guerra ao governo. Bastou cruzar os braços. O efeito, porém, só foi devastador porque encontrou um terreno já fragilizado.
Durante anos, o partido trocou a construção de lideranças próprias pela busca de figuras palatáveis ao empresariado, ao centro político e às elites locais. Escanteou quadros com enraizamento popular e administradores experimentados enquanto procurava um conservador educado, capaz de carregar Lula sem assustar o mercado financeiro.















