Busca de informações dos processos no MPF, de acordo com a PF, foi coordenada por Felipe Mourão e realizada por meio de acessos indevidos a logins de dois servidores da instituição 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, chamado de Felipe Mourão, mostra que o ex-dono do Banco Master determinou o monitoramento de todos os processos sigilosos envolvendo a instituição financeira e o Banco de Brasília (BRB) no Ministério Público Federal (MPF). "Quero tudo. Atenção total", respondeu Vorcaro a Felipe Mourão, também conhecido por Sicário, após ser questionado sobre quais processos o ex-banqueiro queria ter acesso. Essas mensagens estão em um documento da Polícia Federal (PF) que faz parte do inquérito das fraudes no Master, cujo sigilo foi levantado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (10). O monitoramento dos processos no MPF, de acordo com a PF, foi coordenado por Felipe Mourão e realizado por meio de acessos indevidos a logins de dois servidores da instituição. Esse acompanhamento teve início no dia 23 de julho de 2025, de acordo com a PF. A troca de mensagens revela que Mourão realizou uma busca por processos que, simultaneamente, mencionassem o Master e o BRB. Ao perguntar para Vorcaro sobre quais ações deveriam ser monitoradas, o integrante da Turma recebe como resposta que o acompanhamento deve ser completo. "Veja com ele se ele quer que entremos em todos os processos sobre o BRB + Master. São muitos. Eu entrei no primeiro, mas são muitos e, às vezes, pode chamar atenção", encaminha Felipe Mourão ao então dono da instituição financeira, junto a um relatório de processos envolvendo os dois bancos. Em seguida, o ex-banqueiro responde: "Quero tudo. Atenção total". Sicário, portanto, manifesta anuência. "Sim!! Então vou mandar puxar geral". Segundo a PF, os diálogos de Vorcaro com Mourão demonstram que o grupo tinha "amplo acesso a quaisquer procedimentos" presentes no sistema do MPF. "Me avise e me mande para puxar. Me dá um update, se quer alguma coisa. Para puxar o que precisar, estamos com acesso total e ilimitado lá, só não sei até quando", diz Sicário ao ex-dono do Master em diálogo destacado pela corporação. O documento mostra que o ex-banqueiro, inclusive, teve acesso à notícia de fato que originou a investigação da compra do Master pelo BRB. Posteriormente, essa apuração levou à prisão de Vorcaro em novembro do ano passado. Além disso, o relatório da corporação mostra que o grupo "A Turma" conseguiu ter acesso a um banco de dados da própria PF por meio do acesso ao sistema oficial da polícia judiciária da PF. Os investigadores apontam que, após auditoria interna, foi identificado que esse acesso ocorreu por meio da Delegacia da PF de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Para os membros da PF, o grupo de Vorcaro tinha alto grau de intromissão em sistemas contendo informações sigilosas. "O nível de sofisticação e de intrusão em órgãos policiais alcançados pela 'Turma' é de tal relevância que as evidências mencionam, até mesmo, o acesso a organismos internacionais, como o FBI e a Interpol", diz a corporação. — Foto: Pixabay